fast fashion

Hoje fui espreitar os saldos. Tortura.
Quando foi que as lojas passaram a apostar na falta de qualidade? As peças, para além de muito mal feitas, com acabamentos que demonstram uma verdadeira falta de respeito pelo consumidor, são fornecidas num material sem qualidade alguma. Os tecidos que vi e senti são de arrepiar, literalmente. E o consumidor não se interessa.
Estou impressionada. A maioria das pessoas anda vestida com tecidos feios, da pior qualidade possível. Mas estão na moda.
Os materiais naturais são cada vez mais difíceis de encontrar. Não encontrei nada - nada - que se revelasse puro algodão. O pouco algodão que por aí anda vem sempre acompanhado de material sintético - o toque não engana. Saberá o consumidor que se veste de plástico? Mesmo que o saiba, não se interessa. Está na moda.
As lojas estão cada vez mais feias. A iluminação é pouca, induzindo em erro, seduzindo o consumidor até à caixa registradora. A roupa é arrastada pelo chão, o chão que já não se limpa quando está sujo porque as clientes já sabem que é assim mesmo.
E porque é que as lojas se renderam à falta de qualidade? Porque o cliente não se importa. O cliente não se importa porque o cliente tem pressa. O cliente tem pressa de acompanhar a moda - ou terá o cliente pressa de consumir?



26 comentários:

GatoDePapel disse...

Não podia concordar mais:(...na verdade também achei o mesmo...e nada consegui comprar:P

Raquel Devillé disse...

Saldos é uma experiência aterradora, eu detesto. Costumo ir no fim, de preferência de manhã e durante a semana, quando já não há nada interessante e quase não há pessoas. E às vezes encontram-se coisas esquecidas pela pressa dos outros.

AnaGF disse...

É horrível, sim. Também detesto os saldos e este frenezim consumista. A falta de qualidade, parece-me que está relacionada com isso mesmo: como as coisas são para usar durante uma estação, não interessa que durem muito. Depois deita-se fora, e compra-se mais. É barato, é para durar pouco, para tratar com falta de respeito - arrastar pelo chão... Não é esta a base da nossa economia?
Este Natal vesti uma camisola de pura lã branca, daquelas de entrançados, feita com lã grossa. Não tem um único borboto, e é quentinha e confortável, apesar de ter mais de 50 anos - foi comprada pelo meu avô na Nazaré, para oferecer à minha mãe, quando ela tinha metade da idade que eu tenho hoje. Infelizmente, hoje é muto difícil encontrar uma peça de roupa que dure mais de 1 ou 2 anos em condições minimamente decentes. Já para não falar numa que dure o suficiente para transportar consigo memórias de outra geração...

sara aires disse...

Concordo, também procuro sempre materiais de origem mais natural, algodão no Verão e lã no Inverno, mas é cada vez mais difícil. Só não sei se será tanto uma questão de moda ou mais de "economia"... É que cada vez mais as pessoas querem o "barato" independentemente da qualidade.
Dizia o meu bisavô:
"Quem se veste de ruim pano, veste-se duas vezes ao ano".

maria madeira | antónio rodrigues disse...

Também fui espreitar os saldos na Zara e em mais algumas cadeias de roupa e não comprei nada. Não consegui.Também fico sempre com a sensação que aquilo que se vende é mau. Acabo por comprar claro, não tenho alternativa, mas muito pouco.

Mas a minha falta de interesse pelos saldos e pela roupa das grandes cadeias já vem de alguns anos atrás. As colecções são muitas das vezes pirosas ( exceptuando uma peça ou outra! ), e servem para alimentar este consumo voraz em que é preciso ter sempre novidades numa loja de estação para estação.

Nem a roupa é feita a pensar em quem a vai vestir. Por exemplo, sou magra, mas alta. Visto o tamanho S, mas ele não é adequado para a minha altura, a cintura fica sempre acima do sítio correcto. As pessoas baixinhas e fortes, não podem vestir um L sem dobrar as mangas, bem como as calças. Terão que lhes cortar metade do tamanho. É a ditadura do normalizado.

Quanto aos materiais é melhor nem falar...

Por vezes tenho saudades das lojas da baixa do Porto nos anos 8o, mais pequeninas, antes de existirem as grandes cadeias de roupa, onde se vendia o produto feito em Portugal e com bons materiais. Foi também a altura das lojas de alguns designers de moda que na altura estavam a começar.Tinham propostas giríssimas! Encontrava-se roupa muito personalizada, com um bom corte e materiais de qualidade. Pena é que muitas não tenham resistido à concorrência do pronto a vestir muito mais barato. Mas isto é o retrato do país.

tarapatices disse...

Eu já nem vou ver... :(

Virgínia disse...

Olá a todas! Que bom ver-vos aqui :D

O pior é que a maioria das pessoas não compra a pensar numa estação - já vi filmes em que as mulheres admitem que é para usar umas 3 semanas e pronto. Há pessoas que vão a estas lojas todas as semanas!
E porque compram peças baratas ficam com a ideia de que não gastam muito dinheiro - mas todos sabemos que isso não é verdade: é só fazer as contas!
Eu compro muito pouca roupa (para mim, principalmente), só vou à caça quando sinto que preciso mesmo (de 2 em 2 anos, se tanto) mas opto por ir a lojas um pouco mais caras mas que oferecem qualidade - daí poder lá voltar passados anos. E não gasto mais - gasto menos e fico melhor servida.
Maria, em Lisboa haviam os Porfírios e a Gardénia, que eu adorava... por aqui, onde moro, só lojas de cadeias espanholas, como nos centros comerciais.

Há que aprender a fazer a nossa roupa - tomar o poder nas mãos! :)

Um abraço grande a todas**

Virgínia disse...

Pensando melhor, não vou à caça de 2 em 2 anos - as únicas calças de ganga que uso foram compradas à mais de 3 ou 4...e só fui comprar outras porque estas foram ficando curtas.
E as camisolas dos pescadores não são só para inglês ver, são mesmo quentes e duram muitos e muitos anos, como diz a Ana. E que lindas são!

Um bom fim de semana!

Ana V. disse...

Virgínia há anos que digo que nunca vi tanta gente mal vestida, para além da má qualidade dos tecidos, a qualidade do design deixa muito a desejar.

Graças à menopausa engordei, de um dia para o outro 10kgs, tenho 1,70m e agora 70kgs apesar de me sentir anafada não acho que seja um exagero, mas nem o XL me serve quem desenha a roupa não tem a menor noção de ergonomia, aumentam os modelos em comprimento mas na largura em especial das mangas esquecem-se, como sou larga de ombros e peito 38 nada serve.

Os tecidos só de lhes tocar fico arrepiada. Apesar de estar super necessitada de comprar alguma roupa nem fui aos saldos não tenho paciência e acho que não vale a pena. Aqui em Faro contam-se pelos dedos as lojas que não são Multinacionais Espanholas é tudo igual, mas o que mais me entristece é que não é só por cá. Há 10 anos atrás viajava-se e encontrava-se comercio diferente, hoje onde quer que se vá Europa fora a sensação que se tem é que estamos dentro de um qualquer centro comercial português, é tudo a mesma coisa.

Anónimo disse...

Nós (eu e o marido) só compramos quando é necessário. Nestes saldos já comprei alguma roupa (para o anos) para a princesa, e consegui fazer excelentes compras mas apenas em lojas no facebook. Na zara etc não entro à anos!
Detesto a roupa deles, a qualidade e acabamentos são pessimos pelo mesmo preço consigo melhor qualidade.
Vânia

Virgínia disse...

Ana, é o pronto-a-vestir..! Como se fossemos todos iguais! O pior é ver na rua pessoas com o rabo e a barriga de fora, pensando que estão bem, quando na verdade estão muito mal. E o que me irrita mais são os monopólios, os grupos como o Inditex são donos de cadeias de lojas espalhadas pelo mundo inteiro!

Vânia, não conheço lojas no facebook - quais são?
Há sempre alternativas. E o cliente é que manda - se não aceitassem a má qualidade, se não a comprassem, ela acabava...

mimiko disse...

Lembro-me de há uns 10 anos atrás (quando tinha paciência para ir às compras) encontrar, mesmo nas "Zaras e irmãs" roupa diferente e com alguma qualidade, hoje as roupas são todas iguais em todas as lojas, o público-alvo são miúdas altas/magras e mesmo a secção mais sóbria da Zara é para um público muito restrito. Ainda me visto com roupa que já tem mais de 10 anos. Hoje já tenho a máquina, as ideias só falta o tempo para as pôr em prática... :)

pontos disse...

Não sei, mas tenho a noção que foi recentemente, acho que pela mesma altura em que decidiram encolher os números e tornar impossível uma mulher normal entrar num XL! :P Sempre fui alta e gorducha e foi sempre um terror encontrar roupa que me servisse, se juntarmos a isso o facto de calçar o 42, podem imaginar o meu terror às compras... Hoje em dia acho que sou uma mulher normal (1.76m e 75kg), mas é muito difícil encontrar roupa na qual me sinta bem...
Quanto a modas, eu sou daquelas que apalpa antes de ver, vira a roupa ao contrário para ver acabamentos e procura as etiquetas para ver composições e "made in..." e no fim sai das lojas com as mãos vazias.
E é verdade, a roupa que me dura mais tempo é a mais antiga. Até tenho peças do início da Zara que são boas, agora entro lá e em lojas afins e não veja nada de jeito, os tecidos parece que não aguentam meia dúzia de lavagens e é tudo caro, nem as lojas mais caras que antigamente tinham a melhor roupa escapam...

Isabel Marques disse...

eu devo ser uma das poucas mulheres que detesta ir às compras! com saldos ou sem... entrar em lojas para procurar aleatoriamente mais coisas para encher a casa de coisas sem qualidade é um acto que me passa completamente ao lado. Este fim de semana acompanhei o P. numa ida aos saldos... ia sufocando... perdi a paciência nos primeiros 15min... lojas cheias de pessoas que compram qualquer coisa só porque está "barato". Não há pachorra!

Virgínia disse...

Eu também tenho peças a uso de há 15 (ou mais) anos que ainda estão boas - e nem foram caras! Lembro-me da H&M na Holanda, quando ainda nem tinha chegado a Portual e a qualidade dos tecidos era muito melhor.
Eu também vejo o avesso, e procuro ver se o lado direito condiz com o esquerdo (porque muitas vezes a peça vem toda torta)... Se encontro muitas linhas por cortar já não compro porque acho que mereço melhor pelo dinheiro que vou pagar.

Afinal há muitas mulheres atentas ao que se passa, já me sinto melhor! :)

Cristina Lopes disse...

Sábias palavras, Virgínia.

Gato Mário disse...

É dificil mesmo encontrar roupa de qualidade com bons materiais mas barata é impossível. Consegui uma camisola de merino Ralph Lauren no Corte Inglês mas foi no 1º dia dos saldos e para o meu filho uma camisa da Papo de Anjo. Agora deve ser impossível encontrar alguma coisa de jeito. Para criança há sempre a maravilhosa Papo de Anjo ( no Corte Ingles e no Chiado ) que é portuguesa mas pertence a uma Sra americana. Mas é tudo muito caro, salvo ocasiões especiais é só para saldos. Talvez no Chiado - acho que é na R. Anchieta ainda arranjem alguma coisa.

Virgínia disse...

Não conheço a loja mas quando for a Lx vou ficar atenta.
E o que dizer sobre a diferença de oferta entre roupa para menina e para menino? Enquanto há 5 paredes para menina, encontra-se meia parede para menino... Mas essa já é outra história..!

pontos disse...

Linhas por cortar, peças tortas? Vou então partilhar a minha experiência com a La Redoute. Tenho peças já com mais anos que os que eu quero admitir, por exemplo, o meu robe de inverno tem à vontade 15 anos e está impecável, mesmo com idas frequentes à máquina de lavar (sim, que eu quero é roupa que se possa usar e lavar na máquina, não peças que se parece que se vão rasgar na primeira utilização e que não podem ser lavadas na máquina!). Quando começaram os saldos, como precisava de um trench e de um casaco de Inverno, aproveitei e mandei vir.
O trench parecia uma coisa que se encontra no chinês, mal cortado e mal cosido e com um lado diferente do outro. Ainda pensei que fosse feitio, mas logo percebi que tinha sido mal feito mesmo - por cerca de 60 euros esperava melhor. O casaco de Inverno (que custava mais de 100 euros) até vinha com o cabide, mas o tecido era mau, vinha cheio de linhas, assentava mal e era uma coisa pela a qual eu não dava nem 10 euros. Escusado será dizer que devolvi e desisti, assim nunca mais!
Pois, aí estou bem, pois tenho uma rapariga, mas tens razão!
:o)

Virgínia disse...

Eu até tenho recorrido à La Redoute, para não ter que enfrentar as lojas, mas até agora tenho ficado satisfeita... esse é o defeito das encomendas por catálogo, o não poder ver e rever antes de comprar... Parece-me é que andam a pagar muito pouco de mão de obra e depois dá nisto!

Joana disse...

Namorei um vestido e umas meias de lã na benetton e fui lá buscar nas promoções :)
Evito ir as Zaras e H&Ms, principalmente nestas alturas. Não quer dizer que não tenha peças de lá, acaba por ser muitas vezes mais prático, mas são lojas onde as pessoas se iludem com facilidade. Para isso é preferível ir à feira. O que mais me assusta é ver pessoas que fazem peças artesanais e depois passam a vida na Zara/H&M e a comprar sem pensar. Não entendo, sinceramente acho um contra-senso. É isso e o mobiliário do IKEA. Há lojas com móveis tão bonitos, porque é que tem de ser tudo tudo no IKEA?
A La Redoute às vezes também é a minha solução, mas também já começa a ficar do mesmo género.
Eu gosto de saldos e promoções e adoro encontrar peças 'fixes' por preços baratos, mas os saldos agora servem para o consumo rápido e em quantidade e isso é mau...

Virgínia disse...

Das coisas que mais gosto na minha vida é não perder tempo em filas de trânsito e em centros comerciais - tenho tudo o que preciso perto de casa - a pé, umas centenas de metros ou mesmo poucos quilómetros fazem-se muito bem. Mas se às vezes vou a essas lojas é para procurar algo para o meu filho, que cresce a olhos vistos (principalmente o calçado, o número está sempre a crescer!). A razão de muitas vezes não fazer a roupa é o dinheiro, como sabes os materiais ficam caríssimos e a peça já feita é muitas vezes mais barata.
Quanto às pessoas de que falas, não sei, mas percebo o que dizes. Eu detesto a febre do consumo e já agora, as modas. É algo que não faz mesmo parte de mim.

Um abraço, joana!

pontos disse...

Joana, concordo contigo, menos na parte da IKEA. Sou grande fã, pois acho que tem coisas muito giras e bastante acessíveis. Sei que é uma coisa assim pronto-a-consumir, mas tem soluções muito boas e produtos desde o mauzinho ao muito bom. Tenho mobília cá em casa que fui a Paços de Ferreira comprar, mandada fazer e do Ikea e estou satisfeita com tudo, acho que é preciso é saber escolher. Além disso, tem um extra de flexibilidade que não é fácil de encontrar, podes "construir" os móveis da maneira que te der mais jeito! ;)

Marta Mourão disse...

Os saldos podem ser extenuantes. Acho que compensam quando vamos focados e sabemos o que queremos comprar. É sempre uma óptima altura para se investir em peças intemporais e também naquelas em que estivemos de olho uma data de tempo mas não as comprávamos por serem caras.
É um bocado stressante olhar para as filas para pagar; levar encontrões de pessoas mal educadas; etc, mas se soubermos o que queremos é relativamente rápido entrar e comprar. Acho que o ideal é fazer um plano antes de ir aos saldos.

Marta Mourão disse...

Já agora, não acho que as pessoas hoje em dia andem mais mal vestidas. Acredito no contrário: a informação circula muito mais livremente e qualquer pessoa hoje em dia tem acesso a ela, felizmente.
Concordo sim na falta de qualidade dos materiais, mas ainda assim, penso que é importante procurar bem, porque mesmo numa Zara há peças com qualidade.

Virgínia disse...

Tens razão, Marta, a informação circula e ainda bem. Só acho que mesmo assim há muita gente que devia usar o seu bom-senso e procurar, como dizes, a qualidade - não comprar quando não presta e procurar aquilo que quer para si.

Obrigada pela visita!