sobre a felicidade ou as melhores cebolas que já comi

as melhores cebolas que já comi

Fico muito contente em saber que não estou sozinha - os vossos comentários ao post anterior provam que existem muitas mulheres com vontade de chegar mais até si, de mudar de vida de modo a se sentirem mais genuínas e que é urgente mudar mentalidades. Comecemos então por nós próprias.

Eu não tenho nada a ensinar. Posso partilhar apenas aquilo que tenho aprendido. E gostava muito que, com comentários aqui no blogue ou deixando links para os vossos próprios blogues, este espaço fosse um espaço de partilha, útil a todas nós.

Começo por partilhar algo que descobri há muito pouco tempo: que a felicidade não é aquilo que me ensinaram. Sempre ouvi dizer que a felicidade é "contentar-se com pouco". Que aquele que se contenta com pouco, é feliz. Percebi que isso não é verdade, de forma alguma. É impossível ser-se feliz ao tentar contentar-se com pouco.

A felicidade, como a vejo agora, é pôr em prática quem somos interiormente, a nossa natureza. A felicidade é ser quem somos - nem pouco, nem muito, mas o todo.

" É feliz porque não pede muito", dizem. Que erro! Aquele que é feliz, que sente felicidade dentro (e fora) de si está cheio - tão cheio que parece que transborda. Ele não se contenta com pouco, ele contenta-se com muito. Muito, muito, muito!
Pode, aos olhos dos outros, ter pouco - talvez não tenha uma grande casa, nem carro, não ande vestido com as últimas modas, talvez viva sozinho, talvez repita todos os dias a mesma rotina. Mas se esses dias forem o espelho do que está dentro desse indivíduo, se a sua natureza se poder manifestar em tudo o que faz, então o seu contentamento é genuíno e enorme e esses dias serão certamente dias de celebração.

Ninguém se contenta com pouco. Só se esse pouco for muito.


9 comentários:

Joana disse...

ora aí está, não podia estar mais de acordo!
:))

Naná disse...

Também me irrita essa tirada!... O pouco de uns pode ser o muito de outros! Nem todos são felizes com o mesmo!
Eu acho que principalmente temos que saber ser felizes connosco mesmos! E o que nos falta para sermos felizes é ir em busca disso!
E adorei as cebolas ;)

Ana e os Vira Ventos disse...

Acho maravilhosa a forma como te conseguiste encontrar. E sim, a felicidade pode estar até nas cebolas! Nem sempre é fácil chegar ao nosso verdadeiro eu e admitir quem realmente somos. Eu ainda não consegui, mas tento chegar um pouco mais perto todos os dias.
Parabéns pela sinceridade e pelo blog inspirador.
Ana

alexa violeta disse...

Virgínia, talvez essa postura e verdadeira crença do "contentar-se com pouco" fosse reflexo da nossa sociedade no tempo dos nossos avós - foram obrigados a pensar assim. Nos dias de hoje, acontece precisamente o oposto: o consumismo é tão grande, as pessoas só querem ter mais e mais... Na minha pouca experiência de 30 anos de vida, sei que para a felicidade Ter não interessa nada, Ser é tudo.

Concordo contigo, sim. Sermos nós mesmos, termos coragem de procurar a nossa verdadeira essência e viver apaziguado com ela, isso sim é a chave para se ser feliz!

Carina disse...

@Alexa :) :) :) sem dúvida!!!

Ana V. disse...

Como diz a Alexa no tempo das nossas avós era assim nós aprendemos a consumir desenfreadamente. Mas os tempos são de mudança e temos obrigação de poupar, reciclar, reaproveitar e reaprender a viver. Sei que sou pessimista mas desta vez acho mesmo que vamos passar privações se não nos ajustarmos à realidade e aprender a fazer muito do pouco que conseguirmos ir tendo.

As cebolas têm óptimo aspecto tb ando a consumir cebolas de cultura própria.

Vânia M. disse...

É que é mesmo isso. Adorei este post :) Beijinhos.

Chuva disse...

Lindo demais de ler e não posso concordar mais.
Eu... preciso de ser mais eu, sabes?

Deixo-te um poema que adoro, do Fernando Pessoa:
"Para ser grande, sê inteiro
Nada teu exagera ou exclui
Sê todo em cada coisa
Põe quanto és naquilo que fazes
Assim, em cada lago a lua toda vive
Porque alta vive."
F. Pessoa - Ricardo Reis


Penso estar certo, que tenho-o de cor, em mim, desde os 13 anos :O)

Anónimo disse...

Lindo!
É isso mesmo.