simples?

Fiquei a pensar no último post e nos vossos comentários. 
É verdade que me sinto muito cansada mas não sei se será justo atribuir a culpa aos filhos. Como todos os filhos, eles dão trabalho, requerem atenção, precisam do tempo que era meu e já não é, não me deixam dormir uma noite inteira do princípio ao fim. Mas essa é a minha escolha, a minha opção de vida e todos os dias, no auge do cansaço, pergunto a mim mesma se é isto que realmente quero e a resposta é sempre sim.
Como disse a Naná na página dos comentários, esse ritmo calmo e sem stress é sobretudo um estado de espírito. E é aí que eu tento me focar. Como trazer esse ritmo para dentro de mim quando tenho filhos a querer comer e eu ainda sem saber o que fazer para o jantar, quando quero sair de casa rapidamente e percebo que tenho uma fralda para mudar, quando tenho um pré-adolescente e uma bebé a chamar por mim ao mesmo tempo em camas diferentes e eu cheia de sono e as encomendas à espera e a louça por lavar? Porque não posso nem quero sentir-me em paz apenas quando estou sozinha em casa a trabalhar. Quero andar com essa paz dentro de mim, sempre.

Portanto, que me perdoem os filhos, os meus e os vossos, mas um desabafo de mãe de vez em quando não faz mal, é natural e recomenda-se até. Agora, o que ando a tentar aprender é como trazer esse ritmo calmo para dentro de uma vida que, mesmo simplificada como a minha, não é simplesmente simples.


11 comentários:

AnaGF disse...

Concordo, a culpa não é dos filhos, mas não concordo que se trate principalmente de um estado de espírito, até porque este anda "agarrado" ao corpo. Acho que o truque está em avaliar cada situação e saber dizer não: a mais um compromisso, a mais um trabalho, a mais tralha em casa para ser limpa e arrumada, a mais um jornal online para ser lido...Para mim, simplificar tem passado muito por aí. Ainda ontem escolhi entre ir às compras e ficar em casa a ler e a jogar um jogo com a mais pequena. Ganhou a casa e a mais pequena. A verdade é que as compras não eram assim tão urgentes e hoje ia ter que sair de qualquer maneira, por isso aproveito para fazer as duas coisas. E no fds, escolhi entre um dia no campo e um dia em casa, a arrumar e limpar. Ganhou o campo e a verdade é que a casa não estava assim tão suja nem desarrumada...

trapos a voar disse...

E os filhos crescem, mais rápido do que nós gostaríamos, e vão precisando cada vez menos de nós, e vamos sentir falta de ser imprescindíveis...

Maria Duarte disse...

Por muito que amemos os filhos, por muito que sejam a nossa prioridade, a nossa vida não é só os filhos. Se não nos sentirmos bem enquanto mulheres (pessoas), não vamos estar completamente disponíveis para eles.
Se "agora" é prioritário tratar do almoço, "logo" pode ser prioritário sentar-me na rua com os cães ou perder-me no tempo com as minhas linhas a magicar tudo o que quero fazer, em detrimento da roupa que está há dois dias à espera...
De uma coisa eu tenho a certeza, quando EU estou BEM, estou MELHOR para os meus.

Um Beijo

Virgínia disse...

Sim, AnaGF, com estado de espírito também quero dizer organização de espírito (e corpo, sempre agarrado). Também faço essas escolhas o tempo inteiro, só assim conseguimos fazer algo dos nossos dias :) Beijinhos!

Um abraço a todas! Não sabem como gosto de ler as vossas impressões!

Rita disse...

Já experimentaste fazer meditação?

Alexandra disse...

A culpa n é dos filhos. este tb passou a ser o meu oráculo <3 http://wantamiracle.blogspot.pt/2013/06/novo-oraculo.html

Joana disse...

Tenho acompanhado atentamente os post's da Virgínia com o mesmo enlevo de sempre, mas ultimamente sem comentar. Tenho meditado nas suas palavras que parecem tanto as minhas. Quero acreditar que a simplicidade e a calma dos dias hão-de regressar. Um exercício interior a fazer, quando o exterior exige muito de nós. :)

Naná disse...

Virgínia, qualquer mãe normal terá dias mais cansativos e sentirá necessidade de desabafar assim. Aliás, acho que é saudável fazê-lo e benéfico. Reconhecer a necessidade de ter estes desabafos é igualmente importante!
A privação de sono é terrível e tem efeitos negativos sobre qualquer pessoa, mãe ou não mãe! Saber lidar com isso é um desafio enorme e eu muitas vezes vacilo e rendo-me ao cansaço e também faço as minhas birras, tal como o meu filho faz... mas acho que faz parte da nossa natureza.
Quanto ao estado de espírito de que falava, muito contribui as escolhas que fazemos, aquilo a que damos valor e aos quais damos prioridade.
O que me apercebo é que actualmente parece que a sociedade nos impõe um ritmo demasiado frenético... pelo menos quando comparado com o ritmo de vida dos meus pais e dos meus avós.

Unknown disse...

A culpa não é dos filhos, naturalmente, porque foi nossa a opção de tê-los, mas aprendi com uma mãe de cinco que para além deles tb existíamos e que tínhamos de ter a coragem de dedicar algum tempo para nós a fim de conseguir ter o equilíbrio necessário para os educar e Amar.

regressos disse...

A culpa não é de ninguém, porque a culpa existe quando fizemos algo de errado. Estar cansada não é um erro, é uma consequência de uma condição, que, neste caso, é ser mãe.
Esforço-me todos os dias por me responsabilizar sempre do que me acontece, pela forma como vivo, e essa responsabilização dá-me o conforto de sentir que, no final de contas, sou quem controla ou poderá controlar a situação. Apesar disso, grande parte das vezes, esse conforto não me é suficiente e ainda sinto que estou à procura, por vezes sentindo-me mentalmente cega, da vida que eu quero ter, dessa paz de que falas.
A Rita perguntou se fazes meditação e eu sorri. Eu faço meditação sempre que consigo e, nesses dias, há em mim, sem dúvida, mais paz.

Virgínia disse...

Sim Rita, faço meditação mas não com o tempo que precisava. Não faço diariamente e quando faço é por uns minutos. É essa organização dos dias que me falta e que ando a tentar conseguir gerir. Todos os dias queria escrever, desenhar, fotografar, fazer yoga, meditar, aprender, fazer, descobrir... vou conseguindo aos poucos mas o pouco não chega. Pela minha saúde, para que consiga ser a melhor versão de mim, tenho que me organizar. :)
No fundo, sinto-me uma privilegiada, sei que sou, mas falta-me um fio condutor que me acompanhe sempre e não me deixe ir abaixo.
Um beijinho muito grande a todas, gosto muito de as ver por aqui!