uma boneca, um vestido

Dress a Girl Dress a Girl Dress a Girl Dress a Girl Dress a Girl
Tenho estado a trabalhar em novas bonecas nas últimas semanas. Como é bom regressar! Ora nas nuvens, quando uma ideia vinda de não sei onde me surpreende, ora nas trevas, quando erro o mesmo ponto vezes sem conta - que bem que sabe voltar ao meu ritmo, ao meu espaço, ao meu silêncio. 

Cheguei de Moçambique com uma vontade enorme de fazer bonecas que honrassem aquelas meninas e mulheres que lá vi e conheci. Bonecas que representam a mensagem que lá fomos deixar, em nome do Dress a Girl - que todas, independentemente do lugar onde nasceram, têm direito às suas necessidades básicas, como alimentação, roupa, educação e saúde. Mais que isso, que todas têm o direito a ser crianças felizes.

Na vontade de ligar (mais ainda!) o Amo-te Mil Milhões ao Dress a Girl Around the World Portugal decidi construir uma pequena mas sólida ponte entre os dois. 
Assim, por cada Boneca Solidária vendida, farei um vestido para doar ao Dress a Girl Around the World Portugal  que o fará chegar a mais uma menina necessitada.

Esta parceria faz para mim todo o sentido e traz ainda mais amor às longas horas de trabalho que cada boneca exige. 

Quem me segue no instagram tem a possibilidade de ir vendo um pouco do processo de nascimento de cada uma destas bonecas. 

Ao longo da semana irei mostrando mais. Esta ainda está disponível!



Dress a Girl

ao fim da espera

ao fim da espera ao fim da espera ao fim da espera

Quando esperamos por nós próprios, sabendo que lá chegaremos, mais cedo ou mais tarde, como quem confia num ciclo que já conhece.

Há muito que tinha prometido um blogue ao Dress a Girl. Aqui está ele, muito simples e prático, onde o que se pretende é arquivar a história do projecto no nosso país, da qual tenho muito gosto em fazer parte.

Agora posso voltar a fazer bonecos, que tanto me tem feito falta. E observar a natureza no seu melhor. E contar-vos um pouco mais sobre a viagem a Moçambique, que ficou por contar.

Até já!

Moçambique - primeiras palavras

Moçambique 01.2017 Moçambique 01.2017


E agora? Como é que se volta à realidade?
De regresso a Lisboa, tudo me parece mais limpo que o costume. Entro no carro e um cheiro forte enche o ar - o ambientador, que pela primeira vez me parece (muito) agradável.
A minha filha, tão limpinha. O chão da casa, foi sempre assim tão branco?
De volta à normalidade. De volta ao duche perfeito, à cama perfeita, à cozinha perfeita.

E no entanto, é naquelas crianças que ainda penso, é no horário deles que ainda vivo, é dos seus abraços que mais falta sinto.

Moçambique pôs-me à prova e eu respondi. Ri, chorei, rezei, cheguei a pôr a minha vida nas mãos do universo. E aqui estou, sã e salva, quase esquecida dos perigos por que passei, com a certeza de que lá voltarei. 

África não é para os fracos. 


a caminho

a caminho de Moçambique

Lembro-me de estar deitada na cama, a olhar pela janela, e de me ver junto de muitas crianças em África. Eu própria era ainda criança. Essa imagem nunca mais me largou e com o tempo passei a chamá-la de sonho. 
Hoje sei que os poucos sonhos que tenho são na verdade objectivos a cumprir. São chamamentos, talvez bem mais velhos que eu, que me guiam e me levam até onde devo chegar. Por isso dói quando me afasto do caminho, sinal que a alma sabe o que faz e está atenta, verdadeiro GPS interior. Já quando me aproximo do destino, a sensação é muito diferente. Sinto que a peça que me faltava está tão perto que logo me sinto mais cheia, mais alta, mais completa. Deve ser um jogo, isto da vida - alimentar este Ser que somos até atingir o nosso potencial máximo (afinal não muito diferente de um jogo de consola).
O primeiro grande objectivo a cumprir foi o de ser mãe. Done. Serei sempre mãe, com muita honra por ter sido escolhida para criar dois seres tão bonitos e especiais.
O segundo é fazer algo pelo mundo. Caramba, o que me havia de calhar. Levar de onde há a mais para onde há a menos, é o que sinto que estou a fazer nestes últimos tempos. De há uns anos para cá que vejo a minha casa fazer de armazém de roupa, que me chega de quem não a quer mais para ser distribuída por quem dela precisa. Vejo-me a mim e às amigas que muito me ajudam nesta pequena loucura sempre de um lado para o outro, recebendo aqui, distribuindo ali, muitas vezes lavando tudo antes, fazendo triagem após triagem, carregando quilos de um lado para o outro porque simplesmente não ficamos indiferentes à injustiça social, porque não nos conformamos com o desperdício, porque somos teimosas, talvez, e acreditamos que é em casa, com as nossas mãos, que se começa a mudar o mundo. 
No seguimento desse meu destino a cumprir, aparece o Dress a Girl Around the World mesmo à minha porta. Desafio aceite. Procurar empresas e particulares que possam oferecer matéria prima, convocar mãos talentosas e generosas que nos ajudem a confeccionar vestidos para as meninas mais desfavorecidas em lugares do mundo onde a pobreza é mais que miséria é o projecto que já existia em mim mas que ainda não tinha ganho forma porque sozinha não saberia como começar. Nunca imaginei que este projecto, outrora um sonho, fosse tão bem aceite e que crescesse tanto em tão pouco tempo, ganhando a forma que hoje tem, graças a todas (e todos) que se juntam a ele. Em meu nome e em nome do Dress a Girl, obrigada pela vossa confiança. Porque se no princípio ainda assistíamos a dúvidas sobre se valeria a pena o trabalho, se os vestidos chegariam de facto às crianças - hoje notamos que conseguimos ganhar a confiança que sabemos merecer porque nos esforçamos muito para que o fruto do trabalho de cada um chegue exactamente onde queremos que chegue. 

E é assim que me vejo aqui. Dentro de três dias parto de mochila às costas para Moçambique na companhia da Vanessa Campos, a embaixadora do Dress a Girl em Portugal e da ONG SIM com o objectivo de distribuir todos os vestidos que conseguirmos levar. A nossa missão será a de dar em mãos o fruto do vosso empenho. A cada menina, um vestido, feito por uma voluntária. Em troca, queremos trazer o nosso testemunho sobre o que lá vimos e sentimos. E se possível, fotografias dos vossos vestidos, já adoptados e muito amados, pelas meninas que os irão receber.

Até já!

Vida

Vida Vida Vida Vida Vida Vida


Este foi um ano especial, muito especial. Um ano em que, infelizmente, não tive tanta disponibilidade para este meu Amo-te Mil Milhões que já conta quase uma década de vida mas que, graças ao Dress a Girl Around the World - Portugal, foi bastante preenchido. 
Como em todos os grandes acontecimentos da minha vida, sinto que este projecto chegou a mim através de uma força maior, como se a vida me ouvisse e me encontrando no momento certo, no lugar certo me presenteasse exactamente com aquilo que eu sonhava. Costumam ser presentes que me põem à prova e que exigem trabalho, estes que a vida traz -  e eu, que os espero desde miúda, não costumo recuar.

Hoje venho agradecer, não só ao Dress a Girl por ter caído do céu mesmo aqui ao meu lado, mas principalmente a quem, connosco, fez este projecto crescer. E como cresceu! 

Agradeço, do fundo do coração, a quem, ao ler uma ou duas palavras minhas sobre estar a fazer vestidos para dar, decidiu juntar-se a mim, de uma forma ou de outra, acreditando em mim e na minha palavra, mostrando-me que tenho muitos leitores atentos, interessados e acima de tudo, muito humanos! Foi maravilhoso ver nomes e rostos sair do anonimato, chegando-se a mim e estendendo-me a mão. Pessoas que lêem o que escrevo, que gostam do que faço, que procuram algo que transmito. No ano em que menos partilhei no blogue, em que tanto me afligi por não me conseguir organizar de forma a escrever mais - foi o ano em que mais me senti recompensada por todo o tempo aqui investido.

A vossa prontidão em participar neste movimento foi uma grande lição de vida. Aprendi o poder da palavra partilhada, a força que o ser humano tem quando trabalha em conjunto, o impulso que a vida dá a uma simples vontade quando essa vontade está em sintonia com ela, a vida.

Juntas conseguimos centenas e centenas de metros de tecido.
Juntas conseguimos mais de 800 vestidos feitos. 
Juntas conseguimos mais de 800 cuequinhas.
Juntas conseguimos fazer chegar o fruto do nosso trabalho às crianças necessitadas.
Juntas conseguimos fazer sair de casa muitas mulheres talentosas, criando grupos de costura e de verdadeiro convívio, trazendo às suas vidas um novo estímulo, mostrando-lhes o quão importante são para a sociedade, mostrando-lhes o quanto o mundo precisa das suas mãos.

Acreditem, juntas fizemos algo de Bom. E eu estou-vos eternamente grata.

E por tudo isto, era impossível deixar este ano passar sem fazer uma boneca especial, representando essas meninas que vivem cada vez menos longe de nós -  bem como todas as que, deste lado, embarcaram nesta viagem, mais uma vez, deixando as dúvidas de lado e acreditando que a vida pode ser melhor.

Vida foi o nome com que a baptizaram. 


Que 2017 seja um ano próspero para todas nós!




5

happy 5!

E de um dia para o outro, cinco. Cinco anos de família e casa cheia, graças à nossa Maria Alecrim. Sem ela a casa não seria a mesma, disso tenho a certeza. Sem ela, não seríamos os mesmos. E eu, que nunca me imaginei mãe de uma menina, aprendo com ela todos os dias.
Uma menina cheia de sonho, de energia, de histórias para contar e de canções para dançar. Nasceu para o palco, esta pequena força da natureza. Tão doce, tão forte. Sinto que veio ao mundo para o conquistar.

happy 5!

Que a vida seja sempre tua aliada, querida sagitariana. Estarei por perto.

quando o sonho é uma extensão do que somos

a dream come true a dream come true a dream come true a dream come true

Imaginem dez anos. Agora imaginem quantos dias terão dez anos. 
Nesta última década, que passou num ápice, raros foram os dias em que não passei pelo blogue da Amanda. Deixei-me apaixonar, daqui de longe, acompanhando-a e muitas vezes procurando nela o alento e o conforto que me faltavam, sabendo que ela, se vivêssemos perto, seria uma amiga para a vida.
Quantas vezes imaginara uma tarde passada com ela, à conversa, depois de um dia de árduo trabalho na quinta. Era um sonho que eu alimentava (e que me alimentava a mim) mas que, aqui entre nós, nunca imaginei ser possível acontecer.
Pois bem. Esse sonho acordou. De um dia para o outro eu estava na estação de Cascais à espera da Amanda e da Stacy, sem flores e sem banda como a ocasião merecia, mas com o coração nas mãos, como se um verdadeiro amor viesse naquele comboio.
Fomos ao mercado, conversámos, almoçámos, visitámos a The Craft Company, passeámos, rimos muito, tentámos pôr dez anos em dia de uma só vez, provámos os gelados umas das outras e prometemos rever-nos do outro lado do Oceano, em breve.

O meu muitíssimo obrigada à Marta e à Sacha pelo apoio e companhia neste dia tão importante para mim!

E aqui estou. Ainda sem acreditar que tudo isto aconteceu de verdade.