inspiração


Descobri a banda sonora para as minhas manhãs de trabalho: Celina da Piedade.


lebre menino

nova lebre nova lebre nova lebre nova lebre nova lebre nova lebre

Das dez ao meio-dia tenho a casa para mim. Vou às compras, arrumo o mais visível da desarrumação do(s) dia(s) anterior(es), preparo o almoço e por vezes o jantar também, bebo um chá, espreito uns blogues e sento-me à máquina de costura. Sobra-me uma hora. Uma hora cheia, perfeita, em silêncio. E é dessas horas dos últimos dias que esta lebre nasceu, ou foi nascendo. 
Sinto-me um pouco enferrujada, a mente irrequieta, os pensamentos atropelam-se enquanto coso. Mas as mãos, essas, não esqueceram nada e estão muito contentes por voltar ao trabalho.

quase

quase
quase

O Outono traz consigo um outro ritmo à vida, mais real, mais natural (quanto a mim). A família levanta-se mais cedo, prepara-se para o novo dia, cada um com a sua missão em mãos. A distância faz-nos sentir ainda mais o quanto somos uns dos outros e a casa, o porto de abrigo, está sempre quente e seca, à nossa espera, sempre fiel e segura.

Tenho três lebres à minha espera. A sala, mal me sento à máquina, transforma-se em atelier de costura. E eu, devagar, volto a sentir-me livre e completa, no silêncio, na criatividade, em mim.

Estou quase a apanhar o ritmo.

a vida quase a andar para a frente

a tentar voltar ao trabalho

A vontade de voltar ao trabalho é muita mas o tempo que me resta depois de todas as outras tarefas diárias não é nenhum.

À procura de uma escolinha simpática para a senhorita Alecrim, porque é esse o seu desejo. As públicas não têm vagas, as privadas são muito caras. 

Tentei mudar um pouco a cara da lebre. Depois de muitos rabiscos, fiz esta à direita.  Gostava de saber a vossa opinião. 

Uma fotografia tirada pelo telemóvel e dez minutos corridos para escrever. É isto que tenho por hoje!

Uma boa semana a todos!


por terras de Miguel Torga

casa da avó casa da avó casa da avó casa da avó casa da avó

De seguida fomos visitar a avó, que mora lá longe onde Miguel Torga nasceu, em São Martinho de Anta, no Reino Maravilhoso de Trás-os-Montes. Terra bonita, acolhedora, que sabe o que é viver em comunidade, onde nada se desperdiça e tudo se partilha porque tratar de um é tratar de todos. Ali há espaço, há tempo, há ar puro e água fresca da fonte, a mais deliciosa que alguma vez bebi. Há uma vila inteira que nos quer receber e contar o quanto gosta da minha mãe, felizes pela vida nova que ela para lá levou, pela sua energia e criatividade, pelo seu sorriso e amizade. 
E eu trocava já Cascais por Trás-os-Montes, se pudesse.

12 em Sevilha

Sevilla Sevilla Sevilla Sevilla Sevilla Sevilla

Ali tão perto esperava-nos Sevilha, sempre majestosa, orgulhosa, mais que pronta a mostrar o seu melhor, dia após dia. A sua beleza cénica leva-me a perdoar-lhe o calor abrasador e as ciganas que me roubam as mãos e a sina, verdadeiras profissionais de clarividência e de turismo, que sem elas a cidade não era a mesma.
Lá celebrámos o 12º aniversário do M., aquele que veio para nos ensinar a ser pais, que tudo o que mais quer é ver a família unida e feliz. Dói-me ver que a criança que foi já não volta, que a sua voz doce já não chama por mim da mesma maneira, que a vida já não é a mesma para ele. Todos os dias agradeço o facto de o ter perto de mim, de ainda querer a minha mão quando menos espero e até mesmo as zangas e as pazes. O meu amor por ele é antigo e assim será para sempre, eternamente. Vê-lo crescer, passo a passo, um em frente, outro atrás, respeitar-lhe o medo e a vontade, a força e a fragilidade, olhos nos olhos por agora que depressa me olhará do alto e eu cá em baixo, a mãe, a mãe de alguém tão grande que eu espero não ter moldado muito, que o que mais quero é vê-lo livre e feliz. Esquece tudo o que te digo e sê tu próprio, que as minhas palavras estão guardadas para quando delas precisares. Amo-te muito mais que mil milhões.

Algarve rural

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Fui, um pouco receosa do que poderia encontrar. Do Algarve descaracterizado que se vende ao desbarato em nome do turismo vi pouco ou nada, felizmente. E nem foi preciso procurar muito. É ficar uns quilómetros afastado da costa que ele ainda lá está, o Algarve português. Rural, quente, seco, silencioso. 
Uma casa encontrada à última hora (como já vem sendo tradição) era afinal uma quintinha simples e simpática, onde se fizeram novos amigos, se tomaram muitos banhos de piscina e se alimentaram animais que um dia servirão de alimento a alguém. 

E eu, que andara a conversar comigo mesma e tinha chegado à conclusão de que o que precisava era de um estágio numa quinta, fui levada até uma, sem ter a menor consciência disso. E a semana passou e a vontade de regressar a casa não aconteceu.