na árvore de natal

feito em casa feito em casa feito em casa feito em casa feito em casa feito em casa feito em casa

Ouvi rumores de que a nossa árvore de natal precisava de mais ornamentos. Numa tarde, eu e a senhorita Alecrim tratámos do problema. 

inspiração

quando a alma não é pequena quando a alma não é pequena quando a alma não é pequena quando a alma não é pequena

A minha mãe é uma guerreira. Desde que me conheço que a vejo desbravar caminhos que a maioria dos mortais considera demasiado arriscados. Eu, muitas vezes, sou a primeira a tentar chamá-la à razão, a mostrar-lhe um caminho mais fácil, menos penoso. Mas o caminho mais fácil muitas vezes não sabe a nada. Não se aprende nada, nada em nós se transforma, nada em nós cresce. 

Vivemos numa época obcecada por inspiração. Pergunto-me muitas vezes de onde terá surgido essa necessidade tão grande de nos mantermos naquele ponto alto em que pensamos tudo conseguir, tudo mudar, tudo ser - e nada alterar, nada acrescentar, nada fazer. Satisfazemo-nos com o sentir. Alimentamo-nos de imagens que acordam algo adormecido em nós, fazemos uma festa por o termos despertado e permanecemos sentados, à procura de mais uma fonte de inspiração. Eu própria gosto de viver nesse ponto estimulante de descoberta e euforia. Mas até quando conseguiremos alimentar o cérebro assim? E o resto? 

A maior herança que a minha mãe me pode deixar é esta: acreditar no sonho e torná-lo realidade. Tornar o impossível possível. Agir. Ousar. Tentar. Dar. Fazer. Nada temer.

E mesmo que o caminho pareça não nos levar a lado nenhum, olhando para trás, vemos um caminho cheio de pequenos milagres. Um caminho feito por um verdadeiro Ser Humano.


Se forem a Trás-os-Montes e o encontrarem azul não estranhem. É que a minha mãe não sabe estar quieta.

3

3

3 anos conta o calendário. Eu conto uma vida inteira, uma nova vida, tão grande quanto ela. 
Ela é o sol da nossa vida - um sol rosa, porque é assim que ela vê o mundo.


Amo-te Mil Milhões, senhorita Alecrim!

Índios e Cowboys

eu e o avô Zé


Hoje estou no Índios e Cowboys com muitas memórias do passado, que por alguma estranha razão continuam presentes no meu dia-a-dia, como se nada tivesse ficado para trás. 
Aqui estou eu, por volta dos 4 anos, com o meu querido (bis)avô Zé, aquele que levava os (bis)netos, dele e dos outros em verdadeiras expedições de aventura pelas redondezas.

mini mantas de retalhos

mini manta de retalhos I mini manta de retalhos Imini manta de retalhos I

mini manta de retalhos II
mini manta de retalhos II mini manta de retalhos II mini manta de retalhos III mini manta de retalhos III mini manta de retalhos III


O frio chegou e com ele a procura de calor e de conforto. Fiz lençóis de flanela para as camas dos filhos. Fiz cobertores polares para as camas dos filhos. Pijamas e camisas de dormir vão sendo feitos  no intervalo de tantas outras coisas escritas na lista dos afazeres. 

Achei que os meus bonecos poderiam precisar de se aquecer também. Mantas leves e quentes calham sempre bem, mesmo quando se é boneco. 

São três mini mantas de retalhos que podem também servir como mini individuais, se os bonecos não se importarem.

(a segunda e a terceira manta já não estão disponíveis)

pão por deus

pão por deus pão por deus pão por deus

De manhã foram pedir pão por Deus, como já vem sendo tradição. Juntou-se um grupo ainda maior que do ano passado.  A mascote era a mesma, a senhorita Alecrim. 
Onde moramos não vale a pena ir tocar à porta de ninguém. Ainda para mais num sábado de manhã. Uma ousadia, ser criança e querer brincar às tradições. Vamos às aldeias aqui ao lado, longe da vida gira da gente gira com cães giros e bicicletas giras. Onde nos abrem a porta com sorrisos, preparados ou não com mãos cheias de guloseimas, contentes pela visita, felizes pela vida que se espalha pela rua naquela manhã. Já há vários grupos de crianças, uns de cada lado da estrada, é melhor correr para ver quem lá chega primeiro. São muitos, pequenos, grandes, estão todos na rua e os sacos enchem-se e as crianças são crianças e a aldeia é aldeia.

Curiosidade nº 1:  aquela primeira porta que se abriu perguntar-lhes porque não vinham mascarados e porque não faziam partidas. 

Curiosidade nº 2: a maior parte das crianças que está a pedir pão por Deus não sabe o que é o pão por Deus.

Curiosidade nº 3: crianças que não sabem o que são pinhões, que vou felicíssima apanhando ao longo do caminho, deliciando-me mais tarde em casa com aquele sabor a pinheiro e a infância.


À tarde fomos visitar os nossos mortos, que para mim estão tão vivos quanto os vivos e fazem parte dos meus dias. Vivesse eu noutro tempo e espaço e os meus mortos viviam ali ao meu lado, no meu jardim, a ver os meus filhos crescer. Uma sociedade que não sabe lidar com a morte nunca saberá do que a vida se trata. 

o gato avô

Gato avô Gato avô Gato avô Gato avô

Era uma vez um gato que já era avô. Passava as tardes na rua com os seus netos, de um lado para o outro em mil e duas aventuras. Eram tantos os netos que muitas vezes se juntavam a estes outros netos de outros gatos, sem ele se aperceber. Há também a hipótese de ele se aperceber e não se importar, mas isso nunca vamos saber. Bom, bom era passar o dia ocupado em tão animada companhia. 
Ao fim do dia, chegada a hora, regressava a casa, vestia o pijama e procurava a sua manta. Era o descanso do guerreiro, do avô guerreiro, do avô gato.

Que todos os avós tenham netos e que todos os netos tenham avós - ou o mundo jamais será o mesmo.