férias

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Uns dias longe da vida como a conhecemos, num lugar onde nos sentimos bem-vindos e acarinhados, e de onde nunca regressamos de mãos vazias. 
Dias longos, relógio vagaroso, a televisão que não foi ligada e ninguém que sentisse a sua falta. Ir buscar água à fonte e o pão ao forno depressa superou qualquer jogo de consola.
Tempo, tempo, tempo. Vinte e quatro horas bem gordinhas todos os dias. 

Até breve, Trás-os-Montes!

à minha espera

à minha espera à minha espera à minha espera à minha espera

à minha espera à minha espera

. uma poltrona despida para o novo quarto da senhorita Alecrim 
. o casaco do M. quando este tinha a idade da irmã a merecer uma reciclagem 
. o pobre do pato que ainda não sabe se vai ter asas ou braços
. roupa que quer ser manta
. tecido que quer ser roupa
. recortes, ideias, inspiração, estudos que gritam por um arquivo

E todos os dias esta sala me diz que sim, que posso conseguir, que é só querer e fazer. E eu acredito. E à noite, olho em redor e vejo tudo no mesmo lugar, à minha espera.

Enquanto tudo esperar por mim, tudo está bem.

(re)fazer lápis de cera

(re)fazer lápis de cera (re)fazer lápis de cera (re)fazer lápis de cera (re)fazer lápis de cera

A lata dos lápis de cera está mais que cheia. Com 11 anos de uso diário não sei como é possível ainda estar tão cheia, mas está. Temos aqueles lápis bonitos, cujo cheiro me leva imediatamente ao armário do material da sala de aula da professora Maria e temos muitos pedaços partidos que teimamos em não perder. Para quê tanta quantidade?
Para além disso, o formato dos lápis de cera cá de casa, apesar de ser perfeito para mãos que já estão acostumadas a desenhar, parece-me pouco apropriado para as mãos mais pequenas e inexperientes. 
A ideia amadureceu e decidi transformar a cozinha num laboratório por uns minutos. Separei os lápis por cores, começando pela cor que a senhorita Alecrim menos usa, não fosse a experiência dar para o torto. Derreti-os em banho-maria, o que levou muito mais tempo do que esperava, talvez devido às diferentes qualidades de lápis. Não satisfeita com a quantidade que estava a conseguir obter, lembrei-me de lhes juntar umas velas (cuja caixa também está cheia há anos, por mais que use velas no inverno), retirando-lhes o pavio. Fiz uns canudos de papel (aqueles filtros para café que não uso serviram perfeitamente) e verti a cera quente lá para dentro. Nesta altura percebi que toda esta experiência não se consegue em minutos nem com crianças pequenas por perto mas que tanto o processo como o resultado são muito gratificantes. 

apple kiss

maçãs maçãs maçãs maçãs maçãs maçãs maçãs

Era uma vez uma maçã que ao ver-se vazia decidiu procurar outra metade.

passeio pela Quinta do Pisão

passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Cascais passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Cascais passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Cascais passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Cascais passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Cascais passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Cascais passeio de reconhecimento de plantas medicinais em Cascais

Fui, no passado sábado, à Quinta do Pisão, num passeio de reconhecimento de plantas medicinais com a Fernanda Botelho. Há muito que queria fazer isto.
Conhecer as plantas, saber dar-lhes uso, entrar neste mundo maravilhoso da mãe natureza tão sábia e generosa é algo que chama por mim desde pequena, ou mesmo antes disso. Ver a minha avó correr para a enciclopédia sempre que encontrava uma flor ou folha que ainda não conhecia aguçou-me o interesse, sem dúvida alguma. 
Foi uma manhã que me fez tão bem! E o melhor de tudo, no meio daquele grupo de pessoas interessantes, daquela natureza vibrante, do sol que voltou, da presença da Fernanda no dia em que a minha avó faria mais um ano de vida se ainda estivesse deste lado, o melhor foi o M. ter decidido ir comigo e ter gostado, de eu  o ver aprender com os pés na terra, a provar folhas de freixo e flores de borragem, a perseguir joaninhas e a absorver tanto, tanto! 
Enquanto caminhava senti-me em paz, com a vida e com a morte. Percebi que quero aprender muito e que não sei nada. Percebi que tudo o que quero está perto e tudo que preciso está comigo.

inspiração: Ana Thomaz



Decidi parar de trabalhar por uns tempos para conseguir me ouvir novamente. Quando escolhemos trabalhar em casa, a fazer o que mais gostamos e para estar mais próximo dos filhos não imaginamos que podemos repetir os mesmos passos que nos fizeram sofrer ao trabalhar fora de casa. Eu cheguei a um ponto em que trabalhar em casa era não ter tempo para mim, nem para a casa nem, mais importante ainda, para os filhos. Quase todos os dias me apanhava a dizer "agora não posso, tenho trabalho à espera". Mas desta vez, ao contrário daquele tempo em que tinha um salário que me reconfortava a vida ao fim do mês, nem era o dinheiro que ditava porque esse, sejamos honestos, é muito pouco para quem trabalha com as mãos. Era o meu senso de dever, de responsabilidade que me chamava e me dizia que aquilo era mais urgente que as necessidades dos meus filhos. 
A vida não estava a correr bem e eu sabia-o. Eu já não me sentia no caminho certo e estava consciente disso. Por isso decidi tirar um tempo, talvez um ano, para me reencontrar. A falta de paciência, o corpo sem energia, as horas a correr mais que eu - esses eram sinais suficientes de que eu tinha entrado num atalho errado e como mãe, chefe de família (a maioria das mães é chefe de família) estava a levar todos comigo para o mesmo lugar.
Custou-me admitir que se calhar era melhor parar. Como não podia parar de ser mãe, decidi parar a outra parte. Viver em frustração constante e ver os filhos a copiar hábitos de que não me orgulho nada não pode ser opção de vida - e responsabilizar a vida pelos meus dias também não.
Parei. E agora? Tinha parado mas não sabia por onde começar, a que me agarrar. Sabia que haviam respostas à minha espera, sabia que muitas pessoas poderiam me ajudar porque também elas tinham passado pelo mesmo mas não sabia como chegar a tudo. Estava em crise. Não conseguia dormir, sabendo que o caminho estava ali à minha frente e eu não o via, tudo ali tão perto e eu cega. Os dias foram passando. O meu ritmo foi acalmando. Consegui voltar a me ouvir melhor.
No outro dia, na cama, deitando-me tardíssimo quando toda a casa já ia no segundo sono e os primeiros pássaros começavam a cantar (e que lindo soa) agarrei no meu desespero e pedi que alguém me ajudasse, que me enviassem um sinal, que me enviassem alguém, que eu estava desesperada e não sabia o que mudar, como mudar, por onde começar, como começar. Adormeci. Das poucas vezes na vida que fiz isto, algo aconteceu, algo veio até mim, e eu tive a sorte de estar preparada para o receber. 
Hoje, passados poucos dias, já não me sinto desesperada. Sinto-me calma, confiante. Sei que tenho muito trabalho pessoal pela frente, sei que vou falhar todos os dias mas que todos os dias vou também conquistar mais um passo, mas o que mais me motiva é este sentimento de estar em crise comigo mesma ter passado. Percebi que somos dotados de um mapa interior que aprendemos a ignorar desde cedo e que se não ouvirmos os seus alertas a bem vamos ter que os ouvir a mal. A nossa intuição, tão desprezada e pouco aproveitada, vai se cansar de nos falar e vai passar a gritar. Ela vai ralhar. Ela vai nos sacudir se for preciso e é capaz que doa. Tudo seria mais fácil com menos ruído de fundo, a ela bastava-lhe sussurrar e nós estaríamos sempre bem acompanhados. Mas infelizmente vivemos rodeados de barulho e são poucos os que se conseguem ouvir. 

Conheci a Ana Thomaz através da Graça Paz e sinto que, mais uma vez as minhas toscas preces foram ouvidas. Não me alongo mais, apenas peço que vejam o vídeo (este e os outros que encontram no youtube) se vos interessar. A mensagem só terá o efeito que teve em mim se estiverem no lugar em que eu me encontro mas ainda assim, acho que é uma mulher digna de se conhecer e a sua experiência pode ajudar a de muitos de nós. Eu estou-lhe eternamente grata por me ter devolvido aquilo que julgava estar a perder. 

Afinal, a crise era apenas o sinal de eu estar a me distanciar demais de mim, nada mais que isso. A crise que sentia estar a viver era o viver dividida. E que alegria saber isso e poder voltar a caminhar, com mais optimismo, mais segurança, mais certeza, mais esperança.




gola Mao

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Esta é capaz de ser a minha camisa preferida. Tem 20 anos de uso (!) e continua como nova. Foi comprada na H&M, ainda esta não tinha chegado a Portugal, numa época em que nem esta nem outras marcas eram sinónimo de má qualidade.
Apesar de gostar de camisas de corte masculino, os colarinhos e eu deixaram de se entender. Acho-os desnecessários, pesam-me. 
Hoje peguei nela e em 10 minutos, mais coisa menos coisa, tinha uma gola Mao. O resultado é uma camisa muito mais bonita e, acima de tudo, que assenta melhor a minha personalidade, que é isso que procuro no meu guarda-roupa. 
aqui tinha feito o mesmo, e curiosamente, fi-lo por volta desta altura do ano, aquela em que a Primavera começa a querer acordar-me de um longo Inverno.

Há algo de espiritual numa gola Mao.