simples

Quinta do Pisão Quinta do Pisão Quinta do Pisão Quinta do Pisão Quinta do Pisão Quinta do Pisão

Ainda à procura daquela ordem que tanta falta me faz aos dias, a tentar perceber o que tenho que mudar para me livrar desta sensação de estar sempre a correr e nunca conseguir entrar na carruagem, esta pressa dos dias e da vida de que não me lembro ver nos meus avós, chefes de família numerosa, pessoas activas e com objectivos de vida. Estes dias corridos de que até as nossas crianças se queixam, que nos levam a uma vida louca e mal vivida. Porque mesmo trabalhando em casa, sendo mãe a tempo inteiro e criativa quando as crias o permitem, a vida não é simples. A vida tem que se saber fazer simples. E dá trabalho, simplificar a vida. 

E é preciso ser mãe/pai de mais de um filho para saber do que estou a falar. A felicidade é muito maior, o calor humano é ainda mais recompensador, a honra de ser a escolhida para os ver crescer é avassaladora mas o cansaço, o cansaço - o cansaço exige que eu aprenda de uma vez por todas a simplificar tudo: a minha cabeça, a casa, os dias, a vida.

Tenho a certeza que estou no caminho certo.

Hoje descobri um campo mesmo aqui ao lado. Cheirou-me a trinta anos atrás. Hei-de lá voltar sozinha, em silêncio.

9 comentários:

AnaGF disse...

Olá Virgínia, conheço bem esse cansaço/felicidade/correria de que falas. Quando a minha filha mais velha deixou o ensino doméstico para passar a frequentar a escola, foi muito difícil adaptar-me aos horários, idas e vindas para a escola (vivemos fora da cidade, a 6 km), aulas de música, desporto e outras actividades... Este ano (por iniciativa dela), o nº de actividades extra reduziu-se drasticamente e o horário também foi muito melhor (apenas de manhã). Sabe-nos bem a todos ter apenas uma tarde por semana ocupada, e tudo o resto livre. Em conjunto, aprendemos a pensar bem antes de aceitar novos compromissos e a dizer não, ou negociar, sempre que possível. Mesmo assim, nem sempre é fácil, mas acredito que é possível viver mais devagar do que aquilo que é suposto ser normal hoje em dia...
Um grande beijinho,
Ana

Ana V. disse...

Como te compreendo. Quando os meus filhos eram pequeninos havia dias em que só pensava como é que as mulheres com 5, 7 e mais filhos conseguiam dar conta do recado. A vida é uma correria,porque nós aceitámos o ritmo de vida que a sociedade nos impôs a nossa cabeça está formatada para isso e alterar é difícil mas tem de ser possível.bjo

AnaGF disse...

No comentário anterior esqueci-me de referir uma coisa importante: no meu caso, à medida que a mais nova foi crescendo, ela e a irmã mais velha (3 anos de diferença) foram passando cada vez mais tempo a brincar juntas, o que me aliviou imenso em termos de tempo. Daí para a frente, foi sempre a melhorar!

P. disse...

Partilho a 100 este post. Mais ou menos nesse sentido, descobri isto há pouco tempo: http://www.becomingminimalist.com

Não é ideal, mas é simpático... :)

Naná disse...

Tantas vezes recordo como era esse ritmo calmo e sem stress da vida no campo, pontuado pelas refeições, com tempo para a sesta.

Acho que era também um estado de espírito... e sinto-lhe a falta!

regressos disse...

Eu não tenho filhos. Tenho os filhos dos outros, todos os dias, várias horas por dia. Assim que que me são entregues, eu tomo-os como meus e zelo o melhor possível pela sua segurança, bem-estar, acabo também por esducá-los ao mesmo tempo que tento fazê-los estudar. Às vezes, choramos. Muitas vezes, rimos.
Não é a mesma coisa que ter filhos, eu sei. O meu cansaço é, por isso, diferente. No entanto, as tuas palavras descrevem-no bem.
A vida há-de ser simples. Acredito que sim.

Bia Hain disse...

Lidas imagens...a simplicidade sempre encanta. Um abraço!

Carla R. disse...

As fotos são lindissimas. Quanto à gestão do cabnsaço e do stress, eu sei que com o crescimento da Alecrim vai melhorar. Depois vai haver outras dificuldades, mas é bom ja saberes que é a paz que pretendes - ja é um começo. Eu nem isso sei, que gosto tanto do caos, da confusão (e até acho graça ao desespero) como gosto da calma e do sossego. Não aprendi ainda é a tê-los na exacta medida e no bom momento.

Carla disse...

Como compreendo tudo isso!
Tenho 3 filhos, um com 13 anos e duas (gémeas) com 3.
Muita força e felicidade para ti! :)