Lebres, pois claro


A árvore voltou à sala, pai e filho trataram do assunto. Passados uns anos, já podemos dizer que é tradição a mãe ocupar-se de outros afazeres enquanto a árvore se enfeita.
Nos últimos dias, todos os minutos são minutos Lebre. Cortar, coser, virar, encher, coser, bordar, vestir, cortar, coser, virar, encher, coser, bordar, vestir, cortar, coser, virar, encher, coser, bordar, vestir...
Agradeço do fundo do coração todo o interesse que têm dado a estas pequenas personagens - tem sido um prazer saltar da cama a pensar em tudo o que tenho para fazer.
Não percam o próximo post de terça-feira. :)

encomenda de natal




Uma família de lebres a elaborar um plano para o Natal - juro que não sei o que sairá dali.

encomenda de natal


Mais uma encomenda pronta. Vestido para o frio, ele aguarda pacientemente o nascimento daquele que espera vir a ser seu amigo para a vida.

do ano passado


Esta manta em patchwork, apesar de muito cobiçada, ainda não foi vendida. Modéstia à parte, posso dizer que está realmente bem executada, de um peso considerável devido à qualidade dos materiais utilizados, e é exemplar único em todo o planeta.
Por ser do ano passado, baixo-lhe o preço.

um caos organizado



Mesmo sem muito tempo disponível para aqui vir, não podia deixar de responder a este desafio.

Mostrar a realidade, o avesso, o aqui e agora da mesa onde trabalho - o backstage do Amo-te Mil Milhões.




No estendal, a camisola e meias mais pequenas do país e arredores, tricotadas pela Zélia, que está a ensinar a fazer meia no seu blog.
Para quem ainda não sabe tricotar, é passar primeiro pelo blog da Rosário.
E quase me esquecia de passar o desafio! E porque não escolher estas duas meninas? Zélia e Rosário, é a vossa vez de mostrar a verdade!

destes dias


Ainda a tentar perceber se sou organizada ou desorganizada, decidi que tinha que esvaziar uma gaveta. Uma das muitas gavetas cheias de potencial mas que acaba por ocupar muito espaço. São muitos os retalhos que se vão juntando por aqui - e eu, que não gosto nada de desperdício, tento aproveitar tudo, mesmo os mais pequenos e de forma estranha.
Assim, decidi esvaziar a gaveta. Aleatoriamente, fui cosendo um a um, sempre tentando não pensar no efeito final (e é muito difícil esvaziar a cabeça e fazer um trabalho destes não pensando no efeito final), depois cortei-os outra vez, cosi novamente, e por fim cortei tudo na medida que queria.
Foram três dias de trabalho intensivo que valeram bem a pena. Gosto do que surgiu à minha frente.
Mas a época natalícia está à porta e eu vou ter que deixar este novo trabalho descansar por uns tempos, provavelmente até o ano que vem.
Aproveito para informar que não vou poder aceitar muito mais encomendas. Peço que confirmem as mesmas o mais breve possível ou infelizmente não as vou poder aceitar.


clientes satisfeitos


Pequenina mas valente, foi sozinha para Inglaterra. Já chegou, está bem e adora o seu novo colo.

E eu, feliz da vida, não consigo imaginar melhor trabalho que fazer brinquedos!

a lebre e o seu banco


Era uma vez uma menina muito bonita e prendada. Dia e noite sem parar, lá estava ela a trabalhar.
Segunda-feira era um dia especial. Todas as semanas, nesse mesmo dia, procurava um banco para subir. Sem que alguém desse conta, retirava a câmara da bolsa e fazia um retrato. Era o seu retrato em cima de um banco à segunda-feira.
Essa menina pediu-me para fazer uma lebre especialmente para si. Depois de alguns dias a pensar no que havia de fazer, foi assim que a consegui retratar melhor. A gola grande, inspirada naquelas que faz, a túnica preta e as botas quentes de inverno, que não me importava nada de ter em tamanho 38. O banco, esse, foi feito pelo meu bisavô e faz parte do que resta da mobília das bonecas - uma relíquia que guardo comigo e que me faz lembrar do quanto um adulto pode manter-se criança até querer.
Por falar nisso, espreitem o Vidas Crafty desta semana.

Amadora BD




O passado fim-de-semana fomos à Amadora BD. Já há muitos anos que não passava por lá - fiz bem em voltar.
Por aqui, os personagens da Turma da Mónica são os mais lidos. O Miguel começou a ler sozinho graças a estes pequenos personagens, sílaba por sílaba, gargalhada a gargalhada. A curiosidade era muita e em pouco tempo leu a sua primeira história.
O senhor Maurício de Sousa não só atendeu mais pessoas do que era previsto como fez questão de desenhar um personagem a cada um dos que esperavam horas na fila. A sua simpatia será lembrada para sempre.

back in the days



Lembro-me tão bem deste momento - a sala, os avós, a minha prima pequenina, a troca de prendas.
Ao procurar fotografias antigas minhas descobri um sorriso puro de criança feliz, autêntico, como só uma criança tem. Os meus cabelos longos, as minhas roupas todas feitas à mão, as minhas certezas de que a vida era assim e que para sempre assim seria.

Hoje o sorriso já não é tão destemido. A vida foi transformando a menina, a morte foi bruta e retirou-lhe o prazer de desconhecer.

Vou pendurar em casa fotos desse sorriso de criança para que não me esqueça de quem ainda sou. Para que essa menina viva dentro de mim até ao fim. Quero trazê-la de volta.

Já passei por três mortes bruscas. Pessoas que me eram tudo que se foram de um dia para o outro. Hoje são muito poucas as que me prendem à vida, as que dão sentido ao estar aqui. E uma delas foi violentada. De um momento para o outro a sua vida mudou. E eu não sei como conseguirei recuperar a criança em mim, mas vou ter de o conseguir.