Bom Ano!

Feliz Ano Novo!

A Maria já tem um mês e é a menina dos olhos do irmão. Os dias passam a correr, as noites passam devagar e eu vou ajustando-me ao ritmo dela, o novo ritmo da casa.

Desejo a todos os que por aqui passam um ano novo feliz, cheio de dias bem vividos e de momentos inesquecíveis. Sejam felizes!

a história à volta do teu nome

as mulheres da casa

Nunca teria ficado em paz com a vida se não tivesse dado a oportunidade a mim mesma de passar por um segundo parto. O primeiro foi tão traumático que levei quase 10 anos para acreditar que desta vez seria diferente. E foi. Com as pessoas certas tudo pode acontecer - mesmo numa cesariana.
Eu tremia descontroladamente. Era puro medo. Admito: não sou a pessoa mais corajosa em ambientes hospitalares. A sala de parto é fria, estéril, metálica. Os procedimentos são mecânicos, rápidos - a mulher ali deitada é a matéria prima, é um corpo a ser trabalhado, pouco mais.
Mas desta vez eu estava presente, não levei anestesia geral, e presente estava também o pai, que afinal também merece e deve fazer parte do fim deste grande ciclo que é o parto. A obstetra que acompanhou toda a gravidez, para além de grande profissional, mostrou ser não só humana mas também mãe e naqueles minutos uma pessoa precisa de uma mãe.
Mesmo confiando naquela equipa que ali se encontrava, o medo não me largava. Eu tremia. Eu chorava. Eu rezava. Sim, dei por mim a rezar - uma reza só minha. Dei por mim a procurar algo sagrado a que me agarrar para suportar aqueles minutos infinitos - e foi o M. que veio ter comigo, a cantar a nossa música de sempre, a música que cantamos todas as noites desde que nasceu: o Alecrim. Era como se estivesse ali a meu lado, a cantar para a irmã, como tantas vezes fez durante a gravidez.
E assim cantei, como um mantra, vezes sem conta do princípio ao fim o Alecrim enquanto era cortada e cosida, enquanto nascias e te encostavam a mim, no meio de muitas lágrimas e risos, acompanhada e feliz por tudo ter chegado ao fim, a um fim feliz.

O teu irmão sempre disse que teria uma irmã chamada Maria e nunca abandonou essa certeza. A tua mãe preferiu esperar até te ver. E assim nasceste, Maria Alecrim.





Alecrim alecrim aos molhos
por causa de ti
choram os meus olhos
ai meu amor
quem te disse a ti
que a flor do monte
era o alecrim

Alecrim alecrim doirado
que nasce no monte
sem ser semeado
ai meu amor
quem te disse a ti
que a flor do monte
era o alecrim

Maria Alecrim

Maria Alecrim


Faz amanhã uma semana que decidiu nascer. Tudo correu bem, já estamos em casa e um dia conto a história do seu nome.
É doce, a nossa Maria Alecrim*.