o post que surge sempre pela altura dos saldos

Sempre que vou a um centro comercial venho para casa com um sentimento estranho. Volto cansada e desanimada. É daquelas coisas que eu sei que devia evitar - e evito - e que vão totalmente contra aquilo que sou. 
Mesmo para uma pessoa como eu, que não se deslumbra com esse mundo comercial, é muito fácil deixar-se envolver com tanta coisa para ver. A oferta é enorme. São muitas lojas, umas a seguir às outras - é casa sim, casa sim, casa sim, casa sim. Cansa. Quando damos por isso já se passaram umas horas e ainda estamos a andar. As lojas são na maioria das vezes armazéns de mercadoria feita à pressa com materiais de má qualidade feitas longe por pessoas cuja história nunca vamos conhecer. Quando pego numa peça penso sempre em quem terá feito aquilo, em que condições e a que preço. Terá filhos em casa, na escola, será homem ou mulher, novo ou velho? Acabará ele ou ela o seu dia de trabalho satisfeito ou resignado com a vida que tem? A história que a peça me conta nunca é muito bonita. Terei eu que comprar algo que me diz que não é feliz? Serei eu feliz ao usar aquilo no meu corpo? 
Outra coisa que me chateia muito é o espaço interior das lojas que anda a encolher. Ou os corredores estão cada vez mais apertados ou eu estou mais larga. O espaço que há para eu passar diz-me que eu não sou bem-vinda, pelo menos por muito tempo. E o meu bebé muito menos - o carrinho não passa! (Por outro lado, constato que muitas lojas de rua cuja secção de criança fica no primeiro andar não tem rampa, escada rolante ou elevador para lá chegar com carrinho de bebé!).

Ao contrário das visitas semanais aos meus blogs preferidos que me deixam inspirada e com vontade de fazer mais e melhor, de crescer como ser humano e de mudar o mundo, estas visitas esporádicas a estes locais de consumo puro e duro deixam-me vazia por dentro, com a nítida sensação de que não é isto que quero para a minha vida.

Um dia destes terei o prazer de vestir apenas roupa feita para mim.

a pé

caminho caminho praia bosque encantado

O carro está abandonado à porta. Os transportes públicos são uma boa alternativa para quem, como eu, se sente cansada de trânsito, lugares de estacionamento, tubos de escape e afins. Mas o que eu gosto mesmo é de andar a pé. Mesmo debaixo de um sol abrasador, há sempre uma sombra de uma árvore onde podemos descansar, beber um gole de água e conversar um pouco com o vizinho do lado que já lá estava e tenciona ficar. Gosto de pessoas que se sentam à sombra de uma árvore.

A nossa praia tem sido verde.

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Trinta e seis voltas ao sol. Um acaso de pessoa, de circunstâncias, de lugares, de encontros e desencontros. Peças soltas de alma que procura a casa mãe.

Hoje e sempre, quero ser mais eu. Vou me esforçar por ser mais eu. Porque só quando sou eu, eu sou feliz. Porque ser feliz é apenas ser.

Hoje e sempre, vou ser.

reciclar roupa

de mangas a calças de mangas a calças

 Mais um par de calças para ela. Desta vez cortei as mangas a uma camisola de pijama que nunca usei e cosi-as uma à outra, transformando-as em calças. Tão fácil que poderia ter levado meia hora. 


sentada