10 meses

10 meses 10 meses

Em 10 meses aprendi:

* que ser mãe de dois é muito mais que o dobro do trabalho.
* que ser mãe de dois é muito mais que o dobro do amor, da alegria e da felicidade profunda.
* que ser mãe de uma menina é tão bom como ser mãe de um menino.
* que eu já não sou a mesma de há 10 anos, quando tive o primeiro filho. Agora tenho rugas, cabelos brancos, dores nas costas - e sou muito mais eu do que era.
* que a casa não vai ficar arrumada por muito mais que 5 minutos por isso mais vale não me preocupar com isso e aceitar.
* que o meu trabalho, neste momento, tem que aguardar porque se passo os dias a pensar naquilo que não estou a conseguir fazer vou viver insatisfeita e triste e não é isso que quero nem para mim nem para os meus filhos.
* que é possível começar a trabalhar à meia-noite quando finalmente a casa dorme mas que ir para a cama às 4 da manhã não pode ser saudável. 
* que amamentar é bom, tanto para o bebé como para a mãe, quando tudo corre bem. 
* que a vida é mesmo o dia de hoje, amanhã é amanhã.
* que hoje é sempre o dia mais importante de toda a vida.
* que um bebé é tão puro que só pode vir do céu.

dos dias

Maria

A nossa Maria já fez 9 meses (embora vista para 2 anos), adora andar de baloiço, de areia e mar. A julgar pelo seu tamanho poderia pensar-se que come muito mas é do leite da mãe que ela gosta mais. Tanto que ainda acorda várias vezes por noite só para ter a certeza que ele está lá, sempre disponível, adormecendo logo de seguida por mais uma ou duas horas. De dia dorme pouco, o suficiente para se conseguir tomar um banho e lavar metade da louça suja. 

Sempre a lutar contra o relógio, os dias passam a correr e eu só me tenho sentado à máquina de costura depois da meia-noite. As ideias vão surgindo no caderno, os moldes vão tomando forma, os pontos vão se dando mas tudo muito, muito lentamente. 

É possível que este blogue venha a ter que encontrar também ele um novo ritmo. Ou talvez não. Tudo dependerá da forma como esta mãe/pessoa consiga gerir a sua casa - a de dentro e a de fora. Como disse alguém a quem eu gosto de ouvir: " o resto espera". Espero que sim.


pôr do sol I

postal de casa

Esta terra tramou-me. Eu, ave migratória, que nunca fico mais de três anos na mesma casa, já cá estou há muitos (acho que sete). Quando para cá vim disse a mim mesma que seria uma oportunidade para aprender a viver com menos, apenas com o essencial, e a viver mais o mundo lá fora. Porque a casa é pequena mas o mundo aqui é grande. Repito: aqui, o mundo é grande.

Não sei se aprendi a viver com o essencial ou se me tornei mestra na organização. Acho que estou a abrir horizontes internos e a deixar que a casa se vá transformando consoante as necessidades de quem cá vive. Uma evolução quase orgânica, não fossem as paredes de betão. E enquanto ela se vai modificando, eu tento acompanhar, sempre atrás, a reorganizar gavetas e a mudar armários, a deitar fora o lixo e a fazer disto um ninho onde todos se sintam bem.

E as paredes lembram-me sempre que nunca vou ter tudo sob controlo, nem na casa nem na vida, e que é lá fora que está o mundo, e que grande é o mundo, o mundo que não me deixa ir embora para uma casa ampla e organizada de paredes controladas.

E piso este chão e olho este horizonte e a certeza de que tudo vai correr bem volta, sempre. 
Aqui, tenho o mundo à porta de casa.


amêndoas

amêndoas amêndoas

Descobrimos umas amendoeiras perto de casa. Perto delas existe uma horta. A horta é lugar sagrado. É lugar passado. Toda a horta me faz sonhar. Toda a horta me faz chorar.

Um dia voltaremos a ter uma horta e tudo nela se multiplicará até ao céu. E do fruto do nosso trabalho lembraremos a nossa avó como quem continua uma história que nunca poderá acabar. 

Há histórias que não conhecem princípio nem fim. O tempo baralha-se pela memória adentro e nós fazemos dele o que queremos. A realidade não é nada - a nossa memória é tudo.