poncho

poncho poncho poncho

Está pendurado no meu canto de trabalho há umas semanas. As cores foram juntas ao acaso, apanhadas do saco dos fios que vão sobrando, fios esses em algodão a pensar nas noites frescas de verão. Imagino a senhorita Alecrim à beira-mar a brincar com ele vestido até o sol se pôr.

Adorei fazê-lo, fiquei contente com o resultado e não me importava de começar já um em tamanho de gente grande. O modelo é este e recomendo-o vivamente - é simples, fácil e não aborrece já que as combinações de cores são infinitas.

Sempre que olho para ele vejo uma promessa de sol. Já a menina cá de casa diz que o dê ao irmão, que para ela só em cor-de-rosa.

do irmão para a irmã

do irmão para a irmã do irmão para a irmã do irmão para a irmã

Nem todos os colarinhos podem ser transformados desta maneira - nada que uma fita de viés não resolva. Tão simples quanto isso.
Assim ficou o casaco que esperava por uma nova oportunidade, guardado há uma década (!) com a certeza de um dia vir a servir a uma segunda criança.

Eu digo não ao desperdício. Quem disse que roupa guardada não volta a ser usada?

férias

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Uns dias longe da vida como a conhecemos, num lugar onde nos sentimos bem-vindos e acarinhados, e de onde nunca regressamos de mãos vazias. 
Dias longos, relógio vagaroso, a televisão que não foi ligada e ninguém que sentisse a sua falta. Ir buscar água à fonte e o pão ao forno depressa superou qualquer jogo de consola.
Tempo, tempo, tempo. Vinte e quatro horas bem gordinhas todos os dias. 

Até breve, Trás-os-Montes!

à minha espera

à minha espera à minha espera à minha espera à minha espera

à minha espera à minha espera

. uma poltrona despida para o novo quarto da senhorita Alecrim 
. o casaco do M. quando este tinha a idade da irmã a merecer uma reciclagem 
. o pobre do pato que ainda não sabe se vai ter asas ou braços
. roupa que quer ser manta
. tecido que quer ser roupa
. recortes, ideias, inspiração, estudos que gritam por um arquivo

E todos os dias esta sala me diz que sim, que posso conseguir, que é só querer e fazer. E eu acredito. E à noite, olho em redor e vejo tudo no mesmo lugar, à minha espera.

Enquanto tudo esperar por mim, tudo está bem.

(re)fazer lápis de cera

(re)fazer lápis de cera (re)fazer lápis de cera (re)fazer lápis de cera (re)fazer lápis de cera

A lata dos lápis de cera está mais que cheia. Com 11 anos de uso diário não sei como é possível ainda estar tão cheia, mas está. Temos aqueles lápis bonitos, cujo cheiro me leva imediatamente ao armário do material da sala de aula da professora Maria e temos muitos pedaços partidos que teimamos em não perder. Para quê tanta quantidade?
Para além disso, o formato dos lápis de cera cá de casa, apesar de ser perfeito para mãos que já estão acostumadas a desenhar, parece-me pouco apropriado para as mãos mais pequenas e inexperientes. 
A ideia amadureceu e decidi transformar a cozinha num laboratório por uns minutos. Separei os lápis por cores, começando pela cor que a senhorita Alecrim menos usa, não fosse a experiência dar para o torto. Derreti-os em banho-maria, o que levou muito mais tempo do que esperava, talvez devido às diferentes qualidades de lápis. Não satisfeita com a quantidade que estava a conseguir obter, lembrei-me de lhes juntar umas velas (cuja caixa também está cheia há anos, por mais que use velas no inverno), retirando-lhes o pavio. Fiz uns canudos de papel (aqueles filtros para café que não uso serviram perfeitamente) e verti a cera quente lá para dentro. Nesta altura percebi que toda esta experiência não se consegue em minutos nem com crianças pequenas por perto mas que tanto o processo como o resultado são muito gratificantes.