Gata borralheira



Hoje vi uma senhora. Olhei para ela e não consegui deixar de a olhar. Estava à espera de pagar, tal como eu. Era pequena, metro e meio, roliça. E não é que trazia a carteira encostada ao peito e a argola da chave enfiada no dedo como que se morasse ali pertinho e fosse à loja num instantinho...! E quanto mais se apercebia que a fila não andava mais apertava a carteira contra o peito e até a embalava, a jeito de consolo, talvez. A chave dava uma volta ao dedo, duas e eu a vê-la. Talvez tivesse comida ao lume.

parte II


* túnica (por medida) - 50 euros
* saco de alça a tira-colo com fecho (45 x 40 cm) - 45 euros
* saco (38 x 42 cm) - 20 euros
Aceito encomendas! :)

Espelho meu



Não tenho parado nas últimas semanas e no entanto parece que o resultado não aparece! Aqui ficam alguns dos trabalhos mais recentes:
*uma túnica - feita com um pano da Indonésia que comprei alguns anos atrás na Holanda

*um saco do mesmo pano que a túnica
*um saco grande com fecho, para homem que depois de feito me parece mais para mulher
Não sei como nem porquê mas entreguei sacos às destinatárias sem os fotografar... Seria bom receber umas fotografias dos meus meninos espalhados por esse mundo fora já nas suas novas casas ;)
Neste momento estou a fazer uma manta de patchwork (gosto mais de manta de retalhos!) de que estou a gostar muito porque está a ficar com um ar muito campestre, como gosto. Apetece-me uma parecida!
Já tenho três bonecos encomendados e um prometido ao meu filhote, agora só me resta fazer tempo!
Descobri Room Seven numa loja aqui perto chamada Depois da Escola. É simplesmente uma delícia. É uma marca da holandesa Brechtje Olstoorn, filha dos criadores da Oilily. Não podia falhar...
Last but not least estou a digerir um conceito de loja em segunda mão na net para mães criativas e inteligentes que procuram alternativas na compra e venda de roupas para os filhos. Não quero que seja uma loja mas antes um círculo de mães que compra e vende entre si as roupas que os seus filhos já não vestem e que podem muito bem servir a outros. Gostava muito de saber se há mães interessadas nesta ideia, por favor digam o que acham! O objectivo não seria o lucro mas sim dar rotatividade a peças em bom estado, evitando assim o consumo egoísta e transformando a mentalidade das pessoas, bem como o peso nas suas carteiras.
Por hoje é tudo, o dever (chamado Miguel) chama-me! Uma boa noite a todos!

Agarrar a tradição


Fim-de-semana de jogos tradicionais portugueses. Muito calor, muita música portuguesa e, claro, muitos jogos que ainda não estão esquecidos e que fazem as delícias de miúdos e graúdos. Fico emocionada ao ver os mais velhos matarem saudades e impressionada com o interesse dos mais novos. São jogos intemporais que não se podem perder.

Jogo da malha, do sapo, do burro, dos matraquilhos, das argolas, da macaca, da ferradura, do galo, das andas, do pau, do arco...
... da petanca, das corridas de sacos, do cântaro, da corda, do pião, do prego, do berlinde, do rapa, do mata... entre muitos outros.
Fiquei a conhecer o trabalho do Grupo de Jogos Tradicionais Alfageme de Santarém e do Clube de Praticantes de Jogos Tradicionais (que terá em breve o seu próprio site), que partilham comigo o gosto pela tradição.

No meio de tudo isto ainda houve tempo para jogar à bola com amigos enquanto as mães conversavam na relva sobre aquilo que as mães gostam de conversar.

Amo Portugal




Sábado é sempre dia de feira. Um festim de cores, sabores e odores que me alimentam a alma - difícil é colocar no saco, pagar e fotografar em simultâneo.
- Posso tirar umas fotografias?
- Pode! Diga que os morangos são de Mafra!
Está dito.

Avó Vintage

Vim mais uma vez de saco cheio da casa da avó, literalmente. Expliquei-lhe que o vintage está na moda ao qual ela respondeu prontamente abrindo as gavetas.

"Leva tudo o que quiseres! Isto é vintage. Este também. Hm... este já está demasiado vintage...!"
Que pena não poder trazer tudo. Mas está lá, à minha espera.
Se calhar sempre esteve à minha espera.

E no meio de tantas peças feitas com amor por mães, avós e bisavós que sabe-se lá o que pensavam e sentiam enquanto as faziam, encontrei uma roupinha de bebé. "De quem foi?", perguntei. E como se a tivesse guardado sabendo que aquele momento iria chegar, disse: "Tua".

Água é vida

O post de ontem ficou um pouco triste. Sinto-me na obrigação de o ultrapassar, colocando uma imagem positiva, que me lembra a vida.
A minha avó e o meu filho a regar o jardim é das imagens que mais prazer e paz me trazem. Porque são os pilares da minha vida, porque tenho a felicidade de os ver juntos, porque tenho a certeza que muito da minha avó vai ficar no meu filho.
Vou ser sincera. Não gosto do bonitinho. Gosto do belo, do lindo, do transcendente - principalmente se o encontro através de algo feio, mundano, aparentemente vulgar. Tudo o que me parece demasiado perfeito me aborrece. Se um quadro podia ser mais bonito, não quero saber. Porque aquele quadro saiu de mim daquela forma, autêntica, directamente do meu âmago, se possível sem pensar.
Por isso, ontem se me sentia vazia, só podia exprimir-me dessa forma. E se hoje já me sinto com forças para lutar, é assim que tenho que me apresentar. Temperamental, eu sei. Sempre a mudar, eu sei. E estou a chegar aos 32 anos e sei que um ciclo está para se fechar. Não quero ter medo. Quero chamar a mim a guerreira adormecida e acreditar que tudo ficará bem, porque essa é a minha obrigação. A obrigação de ser quem sou.
Às mulheres que de alguma forma entendem o que estou para aqui a desabafar, acreditem que não ficam sozinhas se lutarem por aquilo que mais precisam. Não aquilo que querem, porque todas queremos o mesmo (só quero ser feliz!) mas aquilo que o vosso mais íntimo e escondido ser precisa.
Bem hajam as mulheres guerreiras, que lutam e amam e sofrem e que se levantam sempre de queixo erguido, outra e outra vez porque sabem que o mundo precisa delas e que não mais seria o mesmo se deixassem de ser quem são.
E assim a vida é linda...!

Tristesse




Como você pode pedir
Pra que eu fale do nosso amor
Que foi tão forte e ainda é
Mas cada um se foi
Quanta saudade brilha em mim
Se cada sonho é seu
Virou história em sua vida
Mas prá mim não morreu
Lembra, lembra, lembra, cada instante que passou
De cada perigo, da audácia do temor
Que sobrevivemos que cobrimos de emoção
Volta a pensar então
Sinto, penso, espero, fico tenso toda vez
Que nos encontramos, nos olhamos sem viver
Pára de fingir que não sou parte do seu mundo
Volta a pensar então
Como você pode pedir...

Maria Rita - Milton Nascimento / Telo Borges

Em construção


- Se cavares muito fundo podes tentar chegar à Austrália!...
- À Austrália??... Ai, ai... só se o pai me ajudar..!

Mais azul

Há dias em que pareço encontrar a verdade a cada esquina que dobro. Paro, observo-a e deixo-a ir. Ela olha-me nos olhos e diz-me que é assim mesmo, que não há nada a fazer. Eu ouço-a e deixo-me embalar. Por mais crua que seja, é a verdade.

Azul



Deixem-me acreditar na magia da vida, que eu contente a procurarei.
Nada como um dia cheio de côr para mandar calar as sombras dentro de nós. Um dia rico em pequenos grandes momentos, simplesmente porque lhes soube dar valor.

Sinto muito

Estou naqueles dias em que tudo me parece uma perfeita ilusão... Castelo de areia, passa-tempo, será que a vida é mesmo isto? O jogo da sobrevivência já não é o mesmo, é mais rápido, mais fácil, mais descartável - temos demasiado tempo para pensar, para lembrar, para duvidar, para julgar, para sonhar! É esta a evolução do ser humano? E a mulher, por mais activa que esteja, por mais que pense ser emancipada, é sempre ela a ensinar, a observar, a procurar, a dirigir a vida da família que tanto quer.
Nunca imaginei a força que teria que descobrir em mim para comandar este barco.

Hoje só sei que nada sei.

Loja dos Sabores


Estão na Loja dos Sabores, em Setúbal - Rua Rodrigues de Freitas, nº 16. Telf.: 265 233 008
E que bem que ficam!

Calor


Este vai para a Holanda, já era para lá estar... Gosto muito das cores, vou sempre adorar amarelo com azul.
Tecido 100% algodão. Forrado com tecido branco. 52 x 38 cm. 24 euros.

Terra


Se fosse sombra procurava terra


Como alimento seria flor

Do meu branco jorrava roxo


Não há fruto sem amor
Para mim a semana só fez sentido quando hoje ao fim da tarde o M. foi levar umas alfaces que ele ajudara a plantar à avó I. Este foi um momento muito aguardado e planeado nas últimas semanas. Para que sentisse o valor do trabalho lembrei-lhe que poderia tentar vender aquilo que tinha plantado e ele adorou a ideia. A partir desse dia que planeia o que vender e por quanto! Aceitou que 50 euros não era o preço mais atractivo e deciciu cobrar 50 cêntimos por alface tal como fazem os senhores da feira. Que orgulhoso e feliz estava quando recebeu as moedas na mão! E a minha mãe, emocionada com a visita e com tanta generosidade acenava do portão: - Vale ouro!
E vale.

Livros da minha infância I




Este livro não é meu. Nunca o tive. Passou pela minha infância uma ou duas vezes mas nunca o esqueci. Quando o reencontrei na biblioteca soltei um sorriso de orelha a orelha e tive que o abraçar... Ainda o adoro! Acho que era a máquina fotográfica e a vida ao ar livre que me fascinava, a liberdade que aquela menina tinha!
Tanto para fazer e dei um mau jeito às costas... E o meu filho que tem uma afta na perna!

Dia da Criança

O que faz uma criança a recuperar da febre no Dia da Criança? Fica em casa. Mais propriamente na sala. É mais fácil trazer todo o seu quarto para a sala que brincar por lá. Uma manta de retalhos e berlindes encontrados numa gaveta esquecida podem ser mais do que aparentam ser. Podem contar-se os berlindes um a um, mais que uma vez para ter a certeza. Quarenta e um.
Distribuir qualidades por cada um consoante a sua cor não esquecendo que o vermelho é sempre o melhor, o mais forte, o mais rápido e o mais esperto.

Fotografar a família dos leões em pose de circo. Mãe, olha! Olha!

Dar beijinhos com os pés...
Planear todo um jardim zoológico só pelo prazer de os organizar e de os olhar.

Obrigada por mais um dia tão cheio de ti.