brincar







Brincar é a coisa mais fácil do mundo. E contudo, está a desaparecer. Não só é fácil como é necessária. Hoje em dia, troca-se o brincar pelo brinquedo. Os pais, por se sentirem culpados pela falta de tempo, tentem recompensar os filhos com o brinquedo mais caro que lhe podem dar. Os filhos aprendem a manipular rapidamente e num ápice, todos se perdem dentro dessa teia de aranha.
Cá em casa, depois do jantar é hora de brincar em família. Às cartas, um puzzle, o jogo do polícia e do ladrão... são momentos que acabam por ser muito divertidos também para os adultos, onde se esquece por uns momentos a rotina do dia. Se aos crescidos faz bem, o que fará aos mais pequenos!
De uma camisola se faz um boneco, de umas meias pode surgir um fantoche, e tudo elaborado em conjunto com as crianças. É tão fácil...! Não importa se não fica perfeito - eles vão gostar.
Aqui em cima, mais uns bonequinhos. O primeiro, feito de uma camisola guardada há anos por ter a certeza que serviria para alguma coisa, muito antes de me aventurar a fazer bonecos. Não sei bem se será um cão, parece-me que sim. Mas é bem-disposto e simpático. Ao seu lado, encontra-se um novo passarinho, muito tímido e um pouco desconfiado, que já encontrou ninho no quarto do M. Tenho a certeza que ali se sentirá amado.
Criem. Não interessa o quê.
A criatividade é o perfume da liberdade individual.

nasceram



Acabei-o ontem à noite. Acho que estou apaixonada.
E muitos parabéns ao N. e à C. que deram à luz um lindo menino! Agora a vida ganha outro sentido - muito e muito bonito.

nova manta



Esta pequena manta já deve ter quase um ano de gestação. Estava no cesto dos trabalhos a acabar, aquele que já se estende por vários cestos, sacos e gavetas. Gosto do seu tamanho, perfeita para aconchegar um bebé no berço ou ao colo do pai ou da mãe. Mais tarde, quando o bebé começa a querer brincar, é quente e macia para estender no chão.
É de algodão, com bordado inglês e, ao contrário das outras que até hoje fiz, não tem enchimento porque foi cosida a uma manta polar muito macia. É leve, fresca e quente ao mesmo tempo. Dá para ver que estou satisfeita?

carrinhos



Aqueles que têm rapazes em casa sabem que é muito mais difícil encontrar coisas bonitas para menino do que para menina. Enquanto as princesas cor-de-rosa têm hectares de loja para si, os meninos, dos 0 aos 90, ficam com um cantinho que parece ter sobrado. E a escolha deixa muito a desejar. Há os rebeldes-como-o-pai e os bem-comportados-como-o-pai. A mim, deixa-me mal-disposta.
Assim, quando aparece um tecido como este na loja onde a mãe gasta o pouco dinheiro e tempo que tem, não há como não trazer um metro para experimentar. E acertei em cheio - ele adorou. Deixou-me tirar fotografias para o blog depois de lhe prometer que lhe faço outra ainda mais bonita. E sim, está quase pronta. Esta, vai para aqui. Talvez hajam mais meninos por aí a precisar de uma almofada grande, fofa, cheia de carrinhos coloridos, feita com carinho e muito gosto.

aos que estão longe mas perto

O pai já voltou e a constipação já foi embora. Embora tenha aguentado muito mais tempo que a mãe, não conseguiu manter-se acordado até ouvir a chave na porta. As saudades, já as mataram todas.

Na casa da avó, andou de enxada na mão, regou e procurou pedras para acertar o chão da entrada da sua casa que por sinal ainda não conseguimos acabar. Talvez receba a chave do seu pequeno T0 na noite de Natal!...
Não me importo nada que o outono traga consigo restos do verão. Afinal, as cores combinam bem entre si, nada destoa neste quadro sem fim. Saberão os pássaros que já não é primavera ou seremos nós que andamos fora de horas?
E nada como uma grande taça de pipocas feitas na hora para acabar bem o dia. Eu diria mais, nada como trabalhar na terra para começar bem a semana!
Espero que o vosso fim-de-semana tenha sido tão bom quanto o nosso!


ao vento



E se no lugar de cada pano estivesse um ser humano, estendido ao vento, agitado, abanado, sacudido, açoitado? Sairia de lá com a vida regenerada?

lugares com alma





São Pedro de Sintra. Chá de cidreira e tarte de maçã.

domingo em casa



Fim-de-semana constipado e sem pai.
Há papeis, legos e jogos espalhados pelo chão da casa: do quarto até à sala, para que não se esqueça do caminho.
E acabei mais duas almofadas, mesmo a tempo da constipação atacar.
Temos saudades.

novo boneco



Nasceu esta noite e já saiu de casa. É muito seguro de si, um pouquinho narcisista, parece-me. Gosta de atenção e que lhe digam que está bonito.
Foi para Setúbal, para a Loja dos Sabores.

a história das coisas

A história das coisas - pequeno filme para toda a família, sobre a verdade que nos é propositadamente escondida. Se isto não faz abrir os olhos, não sei o que fará. Vejam e passem palavra.

está nas nossas mãos

Se cada cabelo branco que tenho no meio de todos os outros escuros fosse uma marca de sabedoria, assim como uma medalha de prata, eu olhava o espelho e sorria, agradecida.
Se não fosse olhada de cima abaixo assim que me cruzo com a primeira vizinha, não levava tanto tempo a escolher o que vestir. De certeza que nem olhava o espelho. E assim, nem sabia que tinha cabelos brancos.
Se, quando nasceu o M., as enfermeiras não me tivessem convencido com as suas vozes de soldado, que o meu filho tinha que mamar de tanto em tanto tempo aquela quantidade, eu teria escutado o recem-nascido e teria percebido a sua necessidade, ele teria sentido mais paz, e eu teria sentido o que é ser mulher, ser humano, mamífero.
E é isso que nos faz tanta falta - sermos o que somos, não o que nos dizem que somos. O que hoje nos dizem, amanhã é falso.
Mais de metade dos bens que possuímos são supérfluos. São vendas. São lucro. Não nosso, mas de alguém. Não são só os outros que batem à porta de um pseudo-escritório qualquer a reclamar o prémio que lhes foi anunciado, deparando-se depois com uma verdadeira teia-de-aranha da qual só conseguem sair se comprarem alguma coisa. Todos nós o fazemos, sem nos apercebermos.
Pelo menos, assim vejo o mundo, e cada dia que passa sinto mais certeza, menos incerteza. Tudo está a tornar-se claro, para mim. Suficientemente claro para dizer basta.
Em NY nasce um movimento chamado freegan, que vai até ao limite para combater este consumismo extremo que define, infelizmente, a nossa sociedade. Cá também existe, sem saber que tem nome, e felizmente há sempre alguém inteligente que não escolhe o caminho aparentemente mais fácil, que é aquele que já foi trilhado.
O que mais desejo na minha vida é paz, tempo, espaço. E acredito que lá chegarei, porque estou mais perto agora do que estava há poucos anos atrás. Agora vivo com menos, mas tenho mais.

Bom fim-de-semana!



Aqui está ele, o mais recente boneco. Apeteceu-lhe ficar por ali, junto de todos aqueles doces odores, aconchegado naquelas doces formas.
Para os mais pequenos, depois de muito brincar e passear: Miffy ou Nijntje, de Dick Bruna e Peter Rabbit, de Beatrix Potter. Intemporais.
Bom fim-de-semana!

novos sacos



Gosto tanto deles como desta altura do ano, que me faz lembrar o conforto dos serões à lareira na casa onde cresci, no meio de avós e bisavós que com tanto gosto, uma após outra vez, me mostraram os primeiros passos daquilo que acabei por, muito mais tarde, vir a fazer.


Camisolas para levar para a escola, gorros para as férias na terra do avô, mantas e tapetes, casas de bonecas com móveis de quarto, sala de jantar e de sala de estar, paredes forradas a papel, alcatifa no chão - tudo feito à mão, com tanto gosto, com tanto tempo.


Acho que são eles as minhas maiores influências e são a sua bondade, criatividade e dedicação que tento alcançar, para que o M. os sinta através de mim e com eles todo o bem que me fizeram. E só agora o percebi.


Eu só ia apresentar os novos sacos... Perdoem-me os devaneios.


Amanhã será a vez deste menino.

Acho que tenho que dar mais um passo.

Primeiro foi perder o medo da máquina de costura, pequena mas teimosa. Depois veio o blog, diário aberto, sem o qual já não consigo passar. Agora, preciso encontrar uma ou mais feiras de artesanato (urbano) onde possa mostrar e vender aquilo que faço com a tal pequena e teimosa máquina que, vergonha das vergonhas, ainda consegue mandar em mim. Não sei quem é mais teimosa, se ela ou a maquinista.


Alguém sabe de feiras agendadas para os próximos meses?

à procura do Outono








Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

Alberto Caeiro

desejos vãos





Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore, tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol, altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras... essas...pisa-as toda a gente!...
Florbela Espanca, Sonetos

palavras contra o silêncio




Àqueles que têm enriquecido este espaço com o seu tempo e as suas palavras que encorajam qualquer um a continuar, apetece-me esticar a mão e dizer: vamos. Não sei para onde ou para quê, mas vamos. Porque acredito que a vida não estagna e que são as pessoas, cada pequena pessoa, que empurram este planeta para onde quer que ele vá.

Pode o mundo não mudar já, mas há uma fila lá fora à espera de poder começar.


Digam-me uma palavra. Uma só palavra.


A minha: Vamos.

às novas princesas



Está acabada e tinha que a fotografar já. Amanhã, limpa de linhas e passada a ferro, estará pronta para aquecer o quarto de alguma princesa que por aí ande e por ela se apaixone.


toma lá para aprenderes

- Hoje fizemos um desenho!
- Todos juntos numa mesa grande, numa folha do tamanho de um lençol?
- Não, fiz com o Santiago.
- E o Santiago é fixe?
- Não, é Argentino.


Toma...! Para não te armares em engraçada!

da Holanda




A vida é de facto engraçada, quando a olhamos na cara e lhe percebemos o olhar. Ao ver-me confrontada com um tipo de ensino que nem lembrava existir, começo a procurar alternativas sensatas e a tentar saber tudo sobre o assunto, no meu país e fora dele.


Por lá ter vivido vários anos e por me ser muito familiar, volto a olhar a Holanda com outros olhos, olhos de quem de lá já saiu e não precisa voltar, de quem com a experiência aprendeu muito, acima de tudo.


Lá há muitas escolas alternativas. Desde há muito tempo. Escolhi uma como local de estágio enquanto tirava o curso para professora de artes plásticas, pela faculdade de belas artes de Amesterdão. Impressionou-me a independência dos pequenos alunos, a sua autonomia, a imaginação e acima de tudo, o valor que se dava a tudo isso. As aulas que assisti eram de trabalhos manuais e deviam ser, por isso, das mais divertidas - mas no meio de toda aquela festa de liberdade da imaginação e técnica havia uma grande ordem, subtil, mas estava lá. O professor pertencia aos alunos, eram todos um. E as crianças, as mais independentes e satisfeitas que já vi.


Pouco tempo depois voltei para Portugal, não terminando o curso que tanto prazer me daria terminar e que tanta falta me faz hoje - nunca mais pensando no assunto, até agora.


Embora me pareça que foi tudo um sonho, não foi. Tenho andado à volta dos mesmos assuntos vezes sem conta sem me aperceber que a vida estava atenta, ao contrário de mim.


E se na vida não há caminhos divergentes, acho que tenho andado um pouco adormecida.

Talvez fosse preciso fazer as pazes primeiro.